Entre o otimismo e as dúvidas
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sexta-feira, 01 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
A produção de café orgânico no Norte do Paraná há muito tempo deixou de ser uma novidade (as primeiras lavouras foram plantadas em 1996), mas ainda existem muitas incertezas quanto ao manejo correto da cultura sem o uso de produtos químicos. Os produtores reclamam da falta de orientações sistematizadas sobre o cultivo, uma vez que os estudos com o orgânico ainda são recentes. Há poucas pesquisas na área e elas estão basicamente concentradas na Universidade Federal de Viçosa (MG). E a maior parte dos conhecimentos são adaptações feitas a partir do cultivo convencional (com o uso de defensivos), no qual o Brasil tem pesquisas em estágio avançado.
O especialista em café do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Carlos Armênio Kathounian, admite que os poucos conhecimentos técnicos sobre o orgânico no País estão ainda espalhados pelas regiões produtoras: Minas Gerais, Espírito Santo, interior de São Paulo e Norte do Paraná. ''Não há isso sistematizado e testado para se saber a real eficácia de determinadas técnicas de manejo. Essas tecnologias não estão prontamente acessíveis aos produtores. Então, por enquanto, cada um age de uma forma'', afirma o pesquisador.
Por conta disso, há produtores, como um grande cafeicultor de Santa Mariana (região de Cornélio Procópio), já desistindo do cultivo orgânico, devido à baixa produção obtida em função de erros de adubação. Por outro lado, grupos de pequenos proprietários que têm feito trocas constantes de informações e vêm sendo assesorados de perto pela Emater, não reclamam e seguem animados com o cultivo deste café voltado à exportação.
No primeiro caso está o agricultor Norbert Gamerschlag, 47 anos, proprietário da Fazenda Palmeira, no município de Santa Mariana (16 km a Leste de Cornélio Procópio). Ele mantinha, desde 1998, uma lavoura de café orgânico permeada por mudas de árvores nativas que servem de quebra-vento e também com intenção de controlar o bicho-mineiro, praga comum no cafezal. Em janeiro deste ano, Norbert desistiu de lutar com o mato alto e, desanimado com a baixa produtividade nas duas últimas safras, adotou a medida mais drástica: pulverizou a lavoura com herbicida. Com isso perdeu a certificação de orgânico, obtida junto ao Instituto Biodinâmico (IBD), de Botucatu (SP).
No segundo, estão produtores de de Uraí (26 km a Oeste de Cornélio Procópio), que vão ''muito bem, obrigado''. Atualmentes, três da cidade mantêm cafezais sem o uso de defensivos ou fertilizantes são descendentes de japoneses e todos pequenos proprietários, com sítios de 10 alqueires em média. Nas propriedades, buscam a diversificação para ampliar as alternativas de renda. Emílio Ito, 64 anos, tem, por exemplo, uma área de café orgânico, outra de convencional, mantém lavouras de milho e feijão e investe na fruticultura (dois dos produtos de seu pomar, a manga e a lichia, são cultivados sem defensivos). Outro produtor, Paulo Shuji Mori, 52 anos, que só pratica agricultura orgânica, cultiva soja e laranja num sítio, soja e banana em outro, e café e mandioca numa terceira propriedade.


