No campo - como acontece na cidade - o empreendedorismo surge dos detalhes e das boas ideias. O produtor rural Robson Cândido de Souza, de Congonhas, distrito de Cornélio Procópio, é exemplo claro disso. Em 1986, ele trabalhava no sítio quando percebeu que uma caixa de papelão, cheia de mudas, alojou um enxame de abelhas. Os insetos "sem lar" incomodaram Robson."Com dó", ele substituiu a caixa de papelão por uma caixa rústica artesanal. Um ano depois, a colmeia improvisada produziu oito quilos de mel. Surgia um apicultor por natureza na região Norte do Estado. "Quando vi aquela primeira produção, pensei comigo: Estou perdendo tempo, já que as abelhas vão trabalhar para mim agora", brinca ele.

Com o tempo, Robson pegou a expertise do negócio com outros apicultores da região e em cursos especializados. Hoje, ele trabalha com aproximadamente 200 colmeias em sua área de sete hectares e, no último ano, produziu cinco toneladas de mel. O apicultor comercializou toda a produção, vendendo 50% no atacado, a R$ 8 o quilo, e a outra metade no varejo, a R$ 18 o quilo. O custo de produção gira em torno de R$ 4,50 a R$ 5 o quilo. E o apicultor tem até marca própria com inspeção municipal, a Potência Mel.

Desde o início Souza produziu suas próprias caixas colmeias. Com o tempo e muito estudo, ele criou o padrão exigido pelo mercado e hoje comercializa inclusive as caixas para todo o Paraná e até outros estados. Como além de apicultor Robson também é marceneiro, deixou a produção de móveis para focar nas colmeias. Em um ano, ele vende em torno de 400 caixas de abelhas a R$ 150 cada, gerando em torno de R$ 60 mil de renda extra. "Minhas colmeias são bem acabadas, dentro do padrão, respeitando o espaço das abelhas. Utilizo inclusive um paquímetro para trabalhar. Tenho dois funcionários: um me auxilia na colheita do mel e o outro na produção das caixas. Já minha esposa e filho ajudam no envase dos produtos para o varejo", explica ele.

Com a alta demanda e os bons preços, o apicultor não tem dúvida: quer aumentar a produção para o próximo ano em pelo menos quarenta colmeias. Com cada uma produzindo em média 30 quilos de mel, o incremento pode chegar a 1,2 tonelada. Ele adquiriu até um barracão para poder trabalhar com mais tranquilidade. Nos planos estão ainda plantar eucaliptos e loureiros para melhorar a produção no inverno, já que ambas as espécies têm flores que atraem as abelhas. "Também quero plantar Santa Bárbara, que dá uma madeira interessante para produzir as colmeias. Estou preocupado que pode faltar mel no futuro para atender o mercado e por isso tenho que pensar já no aumento de produção", complementa ele.

Além da apicultura, Robson também trabalha com meliponicultura. Ele multiplica enxames da espécie Uruçu e comercializa para outros apicultores ao preço de R$ 350 a R$ 400 o enxame. "Também gosto de trabalhar realizando o melhoramento genético das minhas abelhas", revela.

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