Entre o laboratório e o campo
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Fortalecer o elo entre a pesquisa, a assistência técnica e os produtores rurais é a meta da equipe de difusão de tecnologia da Embrapa Soja, que conta hoje com seis pesquisadores voltados à transferência de informações.
O pesquisador Lineu Alberto Domit conta que os trabalhos tiveram início na década de 1980, com a criação de pacotes tecnológicos para o cultivo da soja e do trigo. ''A estrutura da Embrapa era muito precária e num primeiro momento, o repasse de informações era feito pelas empresas de insumos, que apenas atendiam as demandas do mercado'', diz.
O processo de transferência de tecnologia intensificou-se na década seguinte, quando a Embrapa desenvolveu, em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Emater, cooperativas e empresas privadas, a metodologia denominada Sistema de Treino e Visita (T&V), utilizada na validação dos conhecimentos indicados para as cultura da soja, milho e trigo.
''O novo processo de difusão é sistêmico e contínuo, e adequa a metolodogia usada à tecnologia a ser repassada ao produtor'', afirma Domit. Entre os métodos tradicionais de compartilhamento de informações estão reuniões, palestras, visitas, excursões, cursos e unidades demonstrativas.
O sistema funciona, basicamente, pelo treinamento de especialistas da assistência técnica e extensão rural, que treinam grupos de técnicos de campo que, por sua vez, repassam as tecnologias para grupos organizados de produtores. ''É mais fácil repassar os conhecimentos para a assistência técnica, que conhece melhor a realidade econômica do produtor e pode validar a tecnologia em nível regional e local'', completa o pesquisador.
Hoje, existem equipes envolvidas na transferência de tecnologia sobre grãos cujo carro-chefe é a soja nas regiões Norte, Sul, Oeste e no Arenito do Paraná e também em Santa Catarina. Além disso, o T&V tem projetos sobre alimentação, sa© úde e geração de renda e produção de sementes de soja. ''No Paraná, por exemplo, são realizados cerca de 60 dias de campo ao ano e a Embrapa representa 45% do mercado estadual de sementes'', explicaDomit.
Segundo Domit, a dinâmica do T&V envolve um comitê técnico, composto, em média, por 25 integrantes, entre pesquisadores e técnicos especialistas da assistência técnica e extensão rural (chamados multiplicadores I). O objetivo do comitê é nivelar o conhecimento sobre as tecnologias recomendadas para a soja e o milho, dividir o ciclo das culturas em períodos, definir as tecnologias que serão transferidas, elaborar um cronograma de atividades e acompanhar e avaliar o desenvolvimento e os resultados obtidos durante o processo.
''As reuniões do comitê técnico acontecem em módulos, de duas a três vezes ao ano, e cada módulo pode durar até dois dias. O conteúdo dos módulos envolve a discussão de projetos pilotos e a estimativa e análise do impacto destes projetos no campo'', diz.
Os benefícios econômicos, sociais e ambientais são observados após a colheita da safra, quando a maioria dos agricultores atendidos obtém maior rentabilidade, seja pelo aumento da produtividade e/ou pela redução do custo.
A metodologia do sistema T&V motiva os agentes de transferência de tecnologia a estabelecerem parcerias regionais e a desenvolverem projetos conjuntos. Essa rede torna mais ágil o processo de difusão e adoção e influi diretamente na elevação da renda e preservação ambiental das propriedades rurais atendidas pelo projeto.
''Em média são treinados 40 técnicos multiplicadores I, sendo que cada um repassa informações a pelo menos outros 10 técnicos multiplicadores II. Cada um deles ensina outros 10 produtores, perfazendo um total aproximado de 4 mil agicultores atendidos por ano'', calcula.


