Jota Oliveira
O presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Roberto Rodrigues, lembra que, devido àquela condição, o cooperativismo serviu como aliado de capitalistas e socialistas, ao longo da história, ‘‘à medida que seu comportamento era mais econômico ou mais social’’. E pela mesma razão, acrescenta o dirigente, foi aceito como parceiro eventual pelas duas escolas, ‘‘mas nunca foi admitido como um incondicional e permanente irmão de doutrina. Entre os dois fogos, foi ora amado, ora odiado’’.
Mas, destaca Rodrigues, ‘‘tudo isto acabou’’: a liberalização comercial e a globalização da economia, e mais o fracasso do socialismo, ‘‘levaram o mundo a uma verdadeira guerra comercial, por mercados e por lucros, que pulverizou conceitos de gestão empresarial estabelecidos sob critérios doutrinários e implantou o paradigma da competitividade: só sobreviverão os eficientes.’’
GlobalizaçãoNa previsão do presidente da ACI, as sociedades irão se adaptando – ‘‘e também se modificando’’ – à globalização: ‘‘embora ninguém ou nenhum governo a tenha ‘inventado’, dela estão se aproveitando os agentes econômicos mais ágeis, em detrimento dos mais lentos. Não necessariamente os maiores ou os mais fortes ou os mais ricos, mas sim os mais ágeis, os mais espertos estão ganhando muito’’.
Ele dá como exemplos ‘‘gigantescas corporações pesadas e mal geridas’’, que em sua previsão ‘‘virarão poeira’’ e dessa poeira ‘‘surgirão novos gigantes ágeis e vivazes’’. Roberto Rodrigues não tem dúvidas, ao afirmar que grandes, médios e pequenos ‘‘sucumbirão igualmente’’, se não forem rápidos. Isso implica, acrescenta, necessidade de informação – ‘‘cada vez mais informação’’ –, que ele considera ‘‘alavanca da agilidade.’’
AmeaçaRoberto Rodrigues já ‘‘v꒒, ‘‘no horizonte globalizado’’, ameaça às democracias, dada por dois fatores: ‘‘por um lado, a imensa massa de desempregados, crescente em nome da redução dos custos, da competitividade e da racionalidade gerencial, pressiona os governos por soluções criativas e geradoras de emprego; por outro lado, a concentração do poder das grandes corporações econômicas aumenta sua influência política sobre os governos’’. Esses aspectos, acredita, ‘‘são ameaças à democracia, o que, sem dúvida, levará governantes de todo o mundo a interferir no processo como um todo, ao longo dos próximos anos’’. ‘‘É neste cenário que as cooperativas e o cooperativismo estão inseridos. Não há mais terceira via. As cooperativas são empresas que também precisam competir no disputado mercado global. Porém, elas têm uma grande diferença em relação às empresas capitalistas com as quais estão concorrendo: têm uma vertente social – existem para prestar serviços a seus membros’’, ressalva.

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