A reportagem da FOLHA conversou com mais alguns produtores de distritos próximos a Londrina e, de forma geral, eles estão otimistas sobre o início do plantio e o desenvolvimento das lavouras de soja. É claro que o clima sempre é um fator inconstante do negócio - que associado aos maiores custos dos insumos - geram uma certa preocupação para o que está por vir. Na região, grande parte dos sojicultores vão iniciar o plantio no próximo mês.

Paulo Huraoka - que possui uma propriedade de 70 alqueires e arrenda mais 140 em Paiquerê - salienta que todo o material para a safra está comprado e a previsão é iniciar o plantio pós 15 de outubro. No ano passado, seguindo essa mesma estratégia, acabou escapando da seca que pegou muitos de surpresa em setembro. "Fechei a safra passada com média de 140 sacas por alqueire (3.400 kg/ha) e não fui prejudicado pelo clima. Mas também não foi como no ano anterior, quando atingi média entre 160 e 165 sacas por alqueire", compara.

Para a 2018/2019, foi indicado pela cooperativa que é parceiro de adiantar a compra dos insumos, afinal, o dólar não para de subir e isso influencia direto nos custos de produção. "Antecipei os pacotes (tecnológicos). Ficou mais caro, mas estava dentro do previsto. Acredito que o custo total, já com mão de obra, deve girar em torno de 70 sacas por alqueire (1.700 kg/ha). Mas eu acho que é na safrinha que os custos vão ficar ainda mais elevados."

João Nazima, produtor no distrito de Guaravera, vai plantar uma área de soja de 120 alqueires, sendo 80 na sua propriedade e mais 40 em área arrendada. Ele relembra que na safra passada fechou com média de 150 alqueires, e que "não dá para reclamar". Entretanto, quando a reportagem comenta com ele que a expectativa dos meteorologistas é de que o clima seja mais estável, com chuvas regulares, ele fica com o pé atrás. "Estou preocupado, porque o clima muda muito, ora faz seca, outra ora vento, granizo, isso está judiando do agricultor."

Ele comenta, por exemplo, que sofreu com a seca na área de 62 alqueires que plantou de milho safrinha (colheita já encerrada) e foi judiado pelo granizo nos 58 alqueires de trigo que ainda estão na lavoura. "Minha média do milho safrinha ficou em 160 sacas por alqueire, mas tinha potencial para bem mais. Já o trigo, que vou começar a colher em 15 dias, em alguns talhões não vou colher nada."

Em relação aos custos, a expectativa de Nazima é um acréscimo que gira em torno de 15% a 20% no plantio. "(O ponto positivo) é que o preço da soja e dos cereais como um todo está bom. O que falta é a gente produzir bastante. O agricultor nunca perde a esperança, somos teimosos e muito otimistas." (V.L.)

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