Entidades se articulam para alavancar ovinocultura no PR
Na 8ª posição do ranking nacional, estado possui um rebanho de 516 mil ovinos, 2,4% do efetivo
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de agosto de 2026
Na 8ª posição do ranking nacional, estado possui um rebanho de 516 mil ovinos, 2,4% do efetivo
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 
Representantes do agro paranaense estão se articulando para reativar a Câmara Setorial da Ovinocultura, com o principal foco de fortalecer a cadeia produtiva. A criação foi tema de reunião com lideranças do setor produtivo realizada no final de julho na sede da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná).
Com a presença de produtores, entidades e órgãos públicos, o órgão tem como principal foco a proposição de políticas públicas, a discussão de demandas do setor, o incentivo à inovação, a melhoria da sanidade e da genética, além de promover a integração entre os diferentes segmentos, contribuindo para o crescimento e a competitividade da atividade no estado.
“No Paraná, essa atuação é estratégica porque a ovinocultura é vista como uma alternativa de diversificação e geração de renda, especialmente para pequenas e médias propriedades rurais. O estado busca ampliar a produção e consolidar uma cadeia organizada, com maior oferta de cordeiros de qualidade para atender o mercado interno e futuras oportunidades de exportação”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.
O Paraná possui um rebanho de 516 mil ovinos, 2,4% do efetivo nacional, ocupando a 8ª posição no ranking, conforme dados da Pesquisa Pecuária Municipal de 2024, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
ALAVANCA
O dirigente da Faep considera que alavancar a atividade passa por alguns pontos fundamentais. Entre eles está trazer pequenos produtores para dentro do mercado formal, resultando no fornecimento de um produto de qualidade, sanidade garantida e valor agregado ao produtor.
“Somam-se a isso a remuneração justa e condizente aos custos de produção da atividade, a assistência técnica de qualidade e a organização da produção e da logística para o pequeno produtor.”
DESAFIOS
Entre os maiores desafios da cadeia da ovinocultura apontados pelo dirigente hoje estão a desorganização entre os elos, os abates informais, a remuneração ao produtor (o que já tem melhorado), a assistência técnica especializada, a sanidade na propriedade, a oferta sazonal de animais prontos para abate, o consumo inconstante da carne ovina, a desvalorização da lã, a baixa oferta interna de cordeiros e a redução da dependência de animais provenientes de outros estados.
Entre as ações que vêm sendo desenvolvidas para incentivar a ovinocultura em território paranaense, a Faep tem atuado com o programa da ATeG (assistência técnica e gerencial), que já atende a ovinocultura nos municípios de Campo do Tenente, Palmas, Rio Azul e Guarapuava.
“Na organização da cadeia produtiva, a federação tem trabalhado junto com a Ovinopar [Associação Paranaense de Criadores de Ovinos], fazendo reuniões com lideranças do setor produtivo e buscando desenhar estratégias futuras e concretas para o desenvolvimento deste importante setor.”
NO TOPO
Guarapuava, no centro-sul do Paraná, concentra o maior rebanho estadual de ovinos, com 18,7 mil animais. Com sede nesse município, há nove anos foi criada a CooperAliança, com o intuito de impulsionar a ovinocultura junto aos produtores, a maioria de Guarapuava e região. Hoje a entidade conta com 193 associados, sendo 43 criadores de ovinos.
“Somos uma cooperativa preocupada com a qualidade e a regularidade dos produtos entregues ao mercado, mas nos preocupamos muito também com o custo de produção. Diante disso, oferecemos assistência técnica gratuita aos cooperados. Além disso, insumos já estudados por eles são usados, através de empresas parceiras e outras cooperativas. Isso tudo baixa os custos”, pontua Adriane Araújo Azevedo, vice-presidente da CooperAliança.
Sobre impulsionar a ovinocultura no estado, a dirigente considera não ver sucesso na atividade sem estar em sistema cooperativista. “O estado deveria ser setorizado, com associações sendo organizadas para serem atendidas com assistência técnica e, assim, canalizar seus produtos para cooperativas.”
A dirigente acrescenta que o valor remunerado hoje é bem expressivo para o produtor que está organizado. “Necessitamos de políticas públicas e recursos financeiros adequados para a produção, com o apoio órgãos competentes a organização dos produtores para uma ovinocultura produtiva e profissional”, conclui.
Segundo levantamento realizado pelo Deral (Departamento de Economia Rural), o VBP (Valor Bruto de Produção) da ovinocultura de corte em Guarapuava alcançou R$ 3,3 milhões em 2024, participação de 3% na atividade no estado.
Em segundo lugar ficou Francisco Beltrão, com participação de 2,4% no VBP estadual (R$ 2,6 milhões) e, na sequência, Cascavel, com participação de R$ 2,5 milhões e 2,3%.


