O diretor presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Afonso Kroetz, afirmou que o continente americano está sem ocorrências virais de aftosa há quatro anos e meio e que o fim da vacinação está previsto no Plano Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (PHEFA) para até 2020 em todo a região. "Precisamos fortalecer as parcerias público-privadas. Não se fará evolução sustentável se não for do gosto daquele que cria, do que vende, do que exporta e do que quer manter seu patrimônio."
O assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Antônio Poloni cobrou união de entidades para a tomada de decisão. "Não vim discutir se devemos liberar ou não, mas discutir quando é que vamos concluir a estrutura sanitária do Estado e do País", disse. Para ele, a sanidade de alimentos é um ativo público e privado. "O município, a região, a propriedade sanitariamente corretos valem mais do que aqueles que não são. É um ativo do Estado também", sugeriu. "Santa Catarina não tem mais qualquer barreira sanitária legal e só precisa conquistar mercados."
Poloni disse que somente com a participação de representantes da indústria da carne é que será possível fortalecer o discurso por uma vigilância sanitária forte. "Não é mais possível manter o sistema de defesa desse País somente com emendas parlamentares. Precisamos de segurança no sistema de defesa e tem de ser perene."
O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o virologista e infectologista Amauri Alfieri, disse que é uma tristeza ver o País patinar com a doença que foi erradicada nos Estados Unidos em 1929 e que foi descrita pela primeira vez no Brasil em 1871. Apesar de considerar que o fim da vacinação seria para comemorar, ele não deixou de apontar os riscos que a decisão cria. "Os governos passam, mas o Estado fica. Para termos uma política de estado, precisamos que o produtor insista nisso, que a indústria participe, que todos estejam envolvidos", disse.
Alfieri lembrou que a soberba é uma ameaça e que é preciso se preparar com barreiras eficientes. "O vírus da aftosa entrou em 2001 na Inglaterra porque um indiano levou em um embutido em um voo. Imagina o que pode entrar no Brasil?", disse.

LEIS LOCAIS
Kroetz argumentou que o Paraná tem poder de fazer a própria legislação, mas não poderia intervir em outros estados caso a decisão fosse tomada em bloco. Por isso, são necessárias barreiras próprias para conter eventuais focos independentemente da extensão do fim da vacinação para outras regiões. Ainda, lembrou que é preciso ter planos, subsídios e outras ações e, por isso, a participação da indústria no debate é necessária. "Temos um fundo privado para a indenização por animais sacrificados por causa de doenças, mas não temos fundo que ajude na prevenção, para quando o governo não pode agir porque não pode demorar para esperar uma licitação", citou.
Alfieri disse que o planejamento tem de ser amplo. "Precisamos de análise de risco, exercícios de simulação de doença para saber o que fazer em caso de um foco, plano de contingenciamento, vigilância em região de fronteira, em portos e aeroportos, vigilância passiva e ativa e também fundos de indenização." (F.G.)

mockup