Entenda o La NiÀa
Quando os ventos alísios, que sopram de Leste para Oeste, se intensificam, as águas do Oceano Pacífico Equatorial se resfriam e acontece o La NiÀa. O fenômeno altera as condições climáticas do mundo todo e na América do Sul atinge principalmente as regiões Norte e Nordeste, que passam a ter chuvas mais intensas enquanto no Sul ocorre o inverso. Quanto mais intenso ele for e mais frias as águas estiverem com relação à média histórica, maior é a possibilidade de frustração de safra.
Com o passar dos meses as águas ficam mais frias devido à intensificação dos ventos alísios, com isso, geram um polo de baixa pressão e provocam o movimento de massas de ar diferente do que regularmente acontece no continente, permitindo a entrada de massa fria e ar quente, que alteram a circulação atmosférica e interferem na distribuição de chuvas, segundo explica a meteorologista Ângela Beatriz Costa, do Instituto Tecnológico Simepar, lotada no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
A cada três ou quatro anos, ao menos um dos fenômenos vai ocorrer, mas não há previsão exata e pode haver influência dos dois no mesmo ano. ''Como agora, que saímos do El NiÀo e entramos no La NiÀa'', explica Angela. O último La NiÀa aconteceu em 2008 e, de acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, José Renato Farias, teve leve intensidade e não trouxe grandes consequências para a agricultura.
Neste ano, o fenômeno surgiu em julho e como ainda está no início, o diferencial de temperatura da água do Oceano Pacífico Equatorial que fica ao Oeste da América do Sul é de meio grau abaixo da média. O estabelecimento do La NiÀa acontecerá neste mês, em setembro e outubro e deverá se estender até abril de 2011. ''O fenômeno está evoluindo muito rapidamente, o que indica ser de alta intensidade'', afirma a meteorologista do Simepar.
O pico do La NiÀa provavelmente ocorrerá em outubro e novembro, quando a temperatura ficará dois graus abaixo do normal e, possivelmente, haverá maior irregularidade na distribuição da chuva. ''Há o prognóstico de um fenômeno intenso, por isso é necessário manter os cuidados com os plantios, mas não podemos esquecer que nem sempre o La NiÀa é desastroso'', reitera Ângela. (A.V.)





