1 - Você acredita que houve falhas nas vacinas ?
2 - Entre as hipóteses o governo do Mato Grosso do Sul cogitou o foco de aftosa como uma ação criminosa, você acredita nisso?
3 - Os prejuízos da família Vezozzo vão servir de alerta para que os produtores sejam mais cuidados no manejo dos animais ?


José Eduardo Andrade Vieira - pecuarista e ex-ministro da Agricultura
1– As vacinas são muito boas. Esse tipo de vacina é, históricamente, muito eficiente. Pode ter havido alguma falha na aplicação. A responsabilidade é do governo federal. A erradicação da doença é um programa do governo, que não tem feito a sua parte.
2–Quando a pessoa deixa de vacinar por questões econômicas ou por comodismo, isso pode ser considerado como um crime premeditado. Não me parece ser o caso.
3– Acho que o caso da família é algo que pode prejudicar todos os pecuaristas brasileiros. Tudo isso evidencia uma situação de extrema gravidade também para a sociedade como um todo. Todos nós perdemos.



Alexandre Lopes Kireeff - pecuarista
1- Não tenho a menor condição de avaliar essa situação. Eu não estive lá, não vi as vacinas. Mas creio que essa análise vai ser feita pelos órgãos daquele Estado, é uma hipótese que precisa ser levada em consideração.
2– Não acredito nisso, para mim, não passa de especulação. O caso apresenta muitas variáveis, mas a idéia de crime, para mim, não deve ser prioridade nas investigações.
3– Acho que os pecuaristas em geral são extremamente cuidadosos. A categoria talvez seja a mais consciente sobre as regras e os cuidados que saúde animal exige. Somos também muito monitorados com mecanismo de controle bastante rigorosos. Houve falhas, mas é preciso a união de todos para descobrir onde elas aconteceram e resolver essa sitauação


Alexandre Jacewicz - médico veterinário e assessor da área de pecuária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep)
1–De acordo com o que nos foi informado, os animais sempre foram vacinados. Pode ser que alguns frascos tenham sofrido algum tipo de problema com a conservação, por exemplo. Se a propriedade sempre segue os conselhos e as normas, acredito que só pode ter ocorrido alguma falha assim.
2–O termo que se usa é o bioterrorismo e não é só com a pecuária de corte bovino. É bom lembrar que estamos agredindo o mundo com preços competitivos e se alguém está se sentindo prejudicado com isso pode vir a cometer casos como esses. Olhando a progressão do mundo a situação está mundo feia, como casos já apontados na China, Romênia e outros paises. Até concordo com o que foi colocado pelo Instituto Agropecuário do Mato Grosso do Sul.
3– Os pecuaristas de um modo geral já são muito conscientes sobre todos os problemas. Eles estão fazendo e sempre fizeram a sua parte. Procuram o aperfeiçoamento pois existe uma demanda tremenda. A questão é que na parte do governo existe uma grande falha. A estrutura que os pecuaristas estão tendo, tanto do Paraná como no restante do país é toda com recursos próprios e isso acaba dificultando muito.


Luiz Meneghel Neto - agropecuarista
1 - Muito difícil, isso nunca aconteceu até hoje. Gado vacinado nunca apresentou a doença.
2 - É muito difícil se falar a respeito disso, mas se o gado foi vacinado pode até ter acontecido. É preciso ver o tipo de cepa que atingiu o rebanho e se a vacina utilizada oferecia proteção para essa cepa. SE as autoridades dizem isso, é uma hipótese que não pode ser descartada. O País vem se despontando como o principal expoente no mercado externo da carne vermelha, e acredito que isso pode ter acontecido. Não dá para descartar nenhuma hipótese.
3 - Não tenha dúvidas disso! O prejuízo direto foi deles com o abate dos animais. Mas, aos olhos da pecuária nacional, os prejuízos são incalculáveis. Nós estamos ainda ‘‘debaixo da água’’, ainda não tivemos tempo para ver os estragos. Todos os setores da pecuária nacional foram afetados. Levaremos muito tempo para recuperarmos o espaço no mercado da venda externa. Estávamos nos recompondo do foco registrado no Pará, no ano passado. Foi um balde de água fria! Mas o que deixa o segmento sem saber o que dizer é a inércia do governo em atender um setor que se desponta como maior gerador de receita de exportação. Agora se preocupam com verbas emergenciais. Onde está a responsabilidade desses administradores públicos?

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