Engenheiro volta ao sítio da família
"Filho, você tem que fazer sua vida na cidade, o campo é muito suscetível ao clima e outros fatores, pode dar certo, mas também pode dar errado." As palavras não foram exatamente essas, mas era a base de pensamento do produtor rural de Santa Mariana, Roberto Keiji Matama, sobre o futuro do seu primogênito, Heitor Matama. O rapaz, de fato, cumpriu o desejo da família: se formou em engenharia da computação em Londrina e permaneceu por um bom tempo no município, trabalhando em sua área de formação.
A tradição japonesa - que instrui o filho mais velho a cuidar dos pais na terceira idade - a possibilidade do arrendamento da terra da família com a saída de um funcionário e, claro, o amor de Heitor pela terra fizeram-no retornar às origens. Neste período, há cerca de quatro anos, a proximidade com a cooperativa Integrada, da qual seu pai é associado há quase duas décadas, foi fundamental para o retorno. "Fiquei neste embate entre minha carreira profissional e a sucessão familiar do sítio, já que as terras seriam arrendadas. Hoje, a palavra final continua sendo do meu pai, mas eu sou o principal responsável, lidando com as culturas de soja e milho", explica Heitor.
O jovem produtor, de apenas 33 anos, explica que participava de um evento da cooperativa quando foi "descoberto" pela assessoria de cooperativismo. Hoje, Heitor é líder do grupo "Juventude Integrada", que conta com cerca de 20 jovens filhos de cooperados que debatem o futuro da agricultura, do cooperativismo, sempre focando na questão da sucessão familiar. Além disso, sua atuação junto à cooperativa é tão forte que ele se tornou coordenador de cereais da cidade de Cornélio Procópio e representante da unidade de Santa Mariana.
"O cooperativismo me deu uma visão muito interessante sobre relacionamento entre pais e filhos no campo e também de agricultura, o que foi fundamental no meu retorno à propriedade com qualidade. Hoje temos a tecnologia nas mãos, mas os pais acabam tendo um pouco de resistência. Temos que saber lidar com estas diferenças", ressalta ele.
Apesar de abandonar sua carreira como engenheiro, Heitor comenta que hoje consegue ter um pró-labore superior ao salário que tinha na cidade, além de ter uma qualidade de vida, segundo ele, bem superior. "Tenho amigos que ganham muito bem nesta área em que me formei, mas sofrem muito com o trabalho. Eu optei em fazer o caminho inverso."
Para Heitor, o cooperativismo é a chave para a agricultura familiar paranaense, principalmente para que os produtores consigam bons mercados de comercialização. Além disso, ele comprova que o Paraná realmente é exemplo mundial neste sentido e que isto precisa ser valorizado por todos. "No ano passado fomos ao Encontro Nacional da Juventude Cooperativista, em Brasília, e fizemos nossa apresentação. Fomos para aprender, mas no final estávamos ensinando o pessoal dos outros estados", complementa ele.





