Com o tema ''O uso sustentável da bioenergia como diferencial competitivo para os negócios'', o ''I Encontro de Energias Inteligentes'' trouxe informações sobre as inovações tecnológicas disponíveis para o setor energético, desde a produção e geração até a sua comercialização O evento, realizado na última quarta-feira, dia 24, no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), foi promovido pelo Consórcio de Energias Inteligentes e contou com a participação de diversas empresas do setor público e privado da cadeia produtiva energética
De acordo com diretor de negócios da Biotechnique Participações e Projetos, Silvio Thadeu, o conceito de energia inteligente consiste na busca por criar qualidades ao que já existe em termos de energia, por meio de pesquisa e equipamentos de última geração Essa busca envolve a produção de energias renováveis, de forma distribuída e que sejam economicamente viáveis para quem produz ''A descentralização hoje é uma exigência de desenvolvimento social, para isso é preciso que a pesquisa ultrapasse os limites acadêmicos e envolva o circuito social, como no caso das florestas energéticas, que dão sustentabilidade ao pequeno produtor e o envolve na cadeia produtiva'', destaca Thadeu
O vice-presidente da Copel, Edson Sardeto, destacou que o desenvolvimento das energias renováveis surge como solução diante da demanda crescente pela produção de energéticos de forma sustentável Segundo ele, o Brasil, em relação ao mundo, possui uma matriz energética bastante limpa
Quase toda a energia produzida no Paraná provém de fonte hídrica, por meio de usinas de médio e grande porte Mas, de acordo com o vice-presidente da Copel, o Estado pretende diversificar esse quadro ''Estamos desenvolvendo uma chamada pública para atrair parceiros investidores que tenham projetos de geração com pequenas centrais hidrelétricas; projetos de geração com biomassa, especificamente bagaço de cana, e também parceiros com projetos de geração eólica'', relatou Sardeto
Já o especialista em regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Aymoré de Castro Alvim Filho, destacou que a geração distribuída é a tentativa de colocar a geração de energia o mais próximo possível dos centros de consumo Essa opção, no primeiro momento, é mais custosa, mas, por outro lado, promove a diminuição de investimentos em linhas de transmissão e também reduz o impacto socioambiental de uma grande usina
Aymoré citou também as dificuldades de viabilizar a microgeração distribuída, ou seja, a geração de energia renovável em pequena escala ''O marco regulatório não permite, atualmente, que pessoas com painéis fotovoltaicos ou microturbinas em suas casas, comercializem ou façam permuta da energia excedente com a empresa distribuidora '' Outro impasse apontado por ele é que as distribuidoras não têm a obrigação de adquirir energia distribuída, o que não incentiva a produção
Aymoré salientou ainda o caráter renovável da matriz energética brasileira Em 2009, 92% da energia utilizada no Brasil foi por meio de geração hidráulica Somadas as energias eólica e as geradas através de biomassa, o índice chegou a 94% ''Ou seja, 94% da energia produzida no Brasil são renováveis No restante do mundo, a média é invertida 40% são produzidas por meio de carvão Somando-se a produção de energia nuclear e a gás, chega-se ao índice de 86% de energia não-renovável ''

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