Pato Branco (PR) sediará, de 19 a 22 deste mês, na Estação Experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o 3º Encontro Latino-Americano sobre Plantio Direto na Pequena Propriedade. Os organizadores esperam a participação de cerca de 1500 técnicos, pesquisadores, produtores e estudantes. Além do Brasil, o evento envolve empresas de pesquisa e produtores do Paraguai, do Chile, da Argentina e do México.
Segundo os pesquisadores do Iapar, Celso de Castro Filho e Ademir Calegari, que participarão do encontro, o Paraná tem a maior experiência em plantio direto em pequenas áreas. São, no total, 25 mil hectares, distribuídos em pequenas propriedades, onde a prática está sendo adotada.
O objetivo do encontro é incentivar a adoção de práticas conservacionistas, promover a troca de experiências e discutir sistemas de plantio direto. ‘‘É mostrar as vantagens sociais, ambientais e econômicas da prática’’, explica Celso de Castro. Ele argumenta que o plantio direto tem proporcionado maior rentabilidade às lavouras, com aumento de produtividade, redução de custos e maior estabilidade. Ambientalmente, a prática traz benefícios, pois evita a erosão, a perda de solo e de nutrientes que seriam levados aos rios pelas enxurradas. ‘‘E por possibilitar o cultivo em áreas mais íngremes, o plantio direto fixa o pequeno produtor na terra dele, evitando o êxodo rural’’, conclui o pesquisador.
Na práticaCelso de Castro pretende mostrar na prática uma das principais vantagens da adoção do plantio direto: a proteção do solo. Para provar a diferença de perda de solo, conforme o manejo, ele montou no campo experimental quatro parcelas de feijão. Uma delas foi cultivada em plantio direto na palha, outra com o solo descoberto, e outras duas em manejo convencional (escarificador e arado de disco).
Um simulador de chuva completará a demonstração. ‘‘Vamos ‘‘fazer chover’’ nessas parcelas e mostrar a vazão da água. Isso provará que as perdas de solo diminuem gradativamente quando se passa da parcela descoberta para a parcela em plantio direto’’, explica.
O sistema de semeadura direta reestrutura o solo, permitindo maior infiltração da água, diz o pesquisador. Mesmo assim, Celso de Castro afirma ser necessário o terraceamento do terreno. ‘‘Muitas vezes, a água acaba escorrendo limpa, mas se fizermos uma análise, ela pode estar carregando um volume significativo de nutrientes’’, acrescenta. Ou seja, pode poluir rios, diminuir o rendimento e aumentar os gastos pela necessidade de repor químicos. ‘‘Proteger o solo é importante para o equilíbrio ambiental, mas também é mais econômico e traz muitas vantagens’’, conclui.
Cobertura e rotaçãoDurante o Encontro, o pesquisador Ademir Calegari exporá o painel ‘‘Rotação de culturas x níveis críticos de biomassa’’. Ele pretende mostrar as opções de cobertura de solo e a importância e efeito de cada uma dessas plantas. ‘‘Todas elas têm a função de proteger, conservar e melhorar a capacidade produtiva do solo. Entretanto, o consórcio entre essas plantas pode trazer maiores benefícios’’, argumenta. Os efeitos combinados entre as culturas de cobertura podem ao mesmo tempo reciclar nutrientes, proporcionar o equilíbrio químico, físico e biológico do solo e controlar doenças, como os nematóides.
‘‘Cada produtor deve fazer o planejamento da propriedade, conhecer bem o solo e as plantas e decidir por um modelo que atenda as necessidades do sistema de plantio direto’’, sugere.
Calegari recomenda que o produtor adote estratégias para o acúmulo de palha. ‘‘O alicerce dessa prática conservacionista é a palha’’, diz. Dados mostram que áreas com palha queimada perdem cerca de 6,5 toneladas de solo por hectare. Se houver 3,5 toneladas de palha/ha, a perda diminui em mais de 50%, caindo para 3,3 toneladas de solo/ha. Uma área com 5,5 t de palha/ha tem a perda de solo reduzida para 1,5 t/ha. ‘‘É preciso enfatizar também que plantio direto não significa parar de arar. É todo um sistema que envolve planejamento, práticas de manejo, plantio de adubação verde e rotação de culturas’’. Calegari informa que durante o Encontro o Iapar lançará o livro ‘‘Plantio direto: pequena propriedade sustentável’’, com técnicas e recomendações sobre a prática.

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