Convencidos de que o associativismo é o melhor caminho para viabilizar a agricultura familiar, pequenos produtores rurais se reunem amanhã no 1º Encontro das Associações Rurais de Ibiporã (14 km a leste de Londrina). O objetivo do evento é avaliar a experiência das sete associações criadas no município desde o ano passado, divulgar informações e iniciar a criação da Central das Associações Rurais de Ibiporã. A programação começa às 8 horas e termina às 18 horas.
De acordo com os organizadores do evento, 69% das propriedades rurais do município são familiares. ‘‘Com a criação das associações, está sendo possível integrar as comunidades, permitir a troca de experiências e formar grupos de comercialização’’, opinou o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Guilherme, um dos promotores do encontro.
ConquistasDe acordo com Maria Romana Moreto Bianco, representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ibiporã, os produtores conseguiram várias conquistas após se associarem. Um dos avanços é a presença de um médico da zona rural, uma antiga reivindicação das comunidades.
Também destacou a conscientização dos produtores sobre a importância de tratar adequadamente as embalagens de agrotóxicos. ‘‘Estamos reivindicando uma solução para as embalagens que estão guardadas há mais de vinte anos’’, comentou. Outra bandeira é a necessidade de segurança para a zona rural. ‘‘Somos vítimas de muitos roubos’’.
O agrônomo Geraldo Batista lembrou que graças ao associativismo, produtores estão se informando sobre a utilização de linhas de crédito como o Pronaf, que até então era pouco requisitado pelos agricultores locais. Para conseguir permanecer na terra, também pretendem organizar-se em linhas de produção. ‘‘Há muitos projetos em discussão’’, comentou. Entre as possibilidades levantadas, ele destaca a galinha caipira, produtos orgânicos e suínos. ‘‘Juntos, eles conseguirão maior escala e melhor comercialização’’, acredita.
SatisfaçãoEm 29 hectares, José Adir Barbieri produz trigo, milho, soja, frango caipira, uva, frutas cítricas, leite, queijo, gado de corte e porco light. Presidente de uma associação, ele revelou que planeja se juntar a outros produtores para comercializar suínos. Entre as vantagens do associativismo, ele evidencia o maior acesso a informações. ‘‘Os técnicos estão visitando a propriedade com maior frequência, estou melhor orientado’’, disse.
Para Batista, a agricultura familiar é o segmento que apresenta vocação natural para abastecer a população urbana e ao mesmo tempo preservar o meio-ambiente. ‘‘Não há monocultura e os produtores vivem mais perto da terra, adquirindo maior consciência sobre a necessidade de conservação desse recurso’’, comentou.

mockup