Encontro discute agricultura familiar
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sexta-feira, 29 de junho de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
Foi realizado na última quarta-feira, em Cascavel, o 1º Encontro Regional sobre Sementes e Biodiversidade, promovido pelo Fórum Oeste de Entidades para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar, órgão que foi criado em 1997 para defender as causas dos pequenos agricultores.
Durante o encontro foram discutidas alternativas para diminuir os custos de produção, aumentar a biodiversidade e equilibrar o meio ambiente. Pesquisas apresentadas durante o evento atestam que os gastos com a produção orgânica podem ser até 30% menores que o método convencional.
O coordenador do Fórum Valdir Neis ressalta que 70% dos alimentos de primeira necessidade, como arroz, feijão e mandioca, são produzidos em áreas menores de 40 hectares, limite para serem consideradas propriedades de agricultura familiar. Valdir afirma que existem pesquisas que comprovam que 52% da soja produzida no sul do País é originária das pequenas propriedades. Além de produzirem para consumo próprio, os agricultores familiares são capazes de abastecer o comércio, diz.
IntegraçãoParticiparam do encontro mais de mil agricultores de 40 municípios da região Oeste que são assistidos pelo Fórum Oeste. O órgão vem contribuindo na formação de associações para fortalecer os pequenos produtores, além de prestar assistência técnica.
O Fórum é formado por dez entidades que atuam com a agricultura familiar e defendem a produção orgânica dos alimentos. São elas, quatro Cooperativas de Crédito Rural com Interação Solidária, sediadas em Cascavel, Três Barras do Paraná, Ibema e Lindoeste; Central de Associações do Paraná (Caopa); Central de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa); Comissão Regional dos Reassentados do Rio Iguaçu (Crabi); Centro de Saúde Popular de Medianeira; Comissão Pastoral da Terra (CPT); e Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).
De acordo com Valdir Neis, mais de 1,6 mil famílias são representadas pelo órgão. Existe um projeto em desenvolvimento para que outros 14 municípios da região Oeste incluam seus representantes no órgão. A intenção é atender a todos agricultores familiares do Paraná, criando um agricultor autônomo e independente que possa levar uma vida digna e justa, explica.
Abaixo-assinadoAinda no encontro, a coordenação do Fórum apresentou um abaixo-assinado com o objetivo de impedir o patenteamento genético das sementes. A justificativa é que somente um pequeno grupo irá se beneficiar com o patenteamento, em detrimento dos pequenos agricultores que não poderão produzir com suas próprias sementes. A proposta da coordenação é entregar o abaixo-assinado para a Organização das Nações Unidas (ONU), para que a entidade tome uma posição sobre o assunto.
Valdir Neis salienta que pesquisas realizadas pelo curso de agronomia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) comprovam que as sementes próprias, utilizadas pelos pequenos produtores, alcançam uma produtividade maior do que as sementes híbridas. Para o coordenador, as sementes híbridas foram desenvolvidas com o objetivo de manter o pequeno produtor totalmente dependente das grandes empresas do segmento. Podemos comprovar também que a limpeza da roça utilizando bóias-frias é 20% mais barata que a feita através de agrotóxicos, observa Neis.
Ele acredita que os agricultores familiares seriam capazes de produzir com suas próprias sementes, desde que recebessem uma assistência técnica. Neis critica o Governo do Estado que, segundo ele, vem retirando verbas antes destinadas às empresas de assistência, como Emater. Para o coordenador do Fórum seria necessário mudar a atual base tecnológica, promovendo a agrotecnologia, que seria uma forma dos agricultores produzirem suas próprias sementes. Dessa forma teremos uma agricultura economicamente sustentável, alega.


