Encontro debate resultados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de junho de 1998
Cristina Côrtes 
A importância do plantio direto como um meio de combater os problemas da degradação do ambiente e promover uma agricultura mais racional e produtiva. Este é o enfoque principal do 6º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, que será realizado de 16 a 20 deste mês no Centro de Convenções, em Brasília.
Este ano, o encontro terá uma característica especial diferente dos anteriores: agricultores e técnicos com larga experiência na tecnologia é que serão os palestrantes, e aos pesquisadores e especialistas caberá o papel de debatedores, que auxiliarão nas respostas às dúvidas.
Segundo o pesquisador da Embrapa, Pedro Freitas, um dos organizadores do evento, o objetivo principal é mostrar os resultados e ensinar os produtores a iniciar num sistema que tem mostrado eficiência e bons resultados. E ninguém melhor que o próprio produtor para falar de suas experiências, reforça Freitas.
CrescimentoIniciado no Paraná, o plantio direto na palha é hoje praticado em aproximadamente 9 milhões de hectares em todo o Brasil, sendo 3 milhões no Cerrado, 1 milhão no Paraná, 1 milhão do Rio Grande do Sul, entre outros. A tecnologia está presente em grande parte das culturas como soja, milho, arroz, girassol, sorgo e feijão irrigado por aspersão. O uso deste sistema tem tido um crescimento significativo, em especial na região dos Cerrados. Em alguns municípios de Goiás, como Rio Verde, 85% das lavouras cultivadas utilizam o plantio direto.
Segundo Freitas são esperados para o encontro aproximadamente três mil agricultores. Nossa programação está bastante ampla e variada, e cada produtor poderá participar do curso ou debate de seu interesse específico.
Diferentes opções de sessões tecnológicas e minicursos estarão sendo oferecidos ao mesmo tempo, e o produtor terá que escolher o assunto de seu interesse. Os minicursos mostrarão o que há de mais recente em técnicas avançadas na aplicação de herbicidas, no plantio direto em florestas, no sistema integrado de controle de ervas daninhas, no plantio direto com tração animal, entre outros.
DestaquesEntre os temas do encontro alguns podem ser destacados pela importância ou pela novidade. É o caso do painel que abordará o Controle Fitossanitário no Plantio Direto. Muitos agricultores que estão na segunda geração do plantio enfrentam uma situação nova na dinâmica de controle de pragas e doenças, porque um novo equilíbrio do solo é estabelecido.
A experiência no desenvolvimento de novos equipamentos será contada por um técnico da Nova Zelândia, convidado especialmente para o evento. Os debates discutirão como melhorar as plantadeiras e as técnicas de plantio.
A integração lavoura-pecuária também desperta bastante interesse, e tem sido apontada como uma alternativa para melhorar o rendimento na propriedade. Busca-se um maior potencial da pastagem, com utilização de maior lotação de animais, agregando melhor valor alimentício à pastagem, além de preservar o meio ambiente. Produtores mostrarão suas experiências, inclusive o plantio direto de soja em braquiária no Sul do Mato Grosso do Sul e renovação de pastagens com guandu.
O algodão na rotação de culturas também será tema de discussão. Problemas com cultivares, destruição de restos culturais, controle de ervas daninhas, controle de doenças do solo e a formação de palhada serão alguns dos enfoques.
Agricultura de precisãoAssunto novo, a agricultura de precisão ainda sofre uma carência sensível de informações. E, no caso do plantio direto, apresenta recursos únicos que podem ser utilizados para resolver uma série de problemas, assim como um vasto potencial para obtenção de dados de campo, hoje considerada uma preciosa ferramenta para a pesquisa aplicada.
Uma vez integrada com outras técnicas de monitoramento da fertilidade do solo, da incidência de plantas daninhas e da produtividade das culturas, essa técnica pode ser uma importante ferramenta para o plantio direto bem manejado, mesmo ainda exigindo estudos e experimentos. Os aspectos negativos e positivos da agricultura de precisão serão discutidos também no encontro nacional.
O desenvolvimento do sistema de plantio direto depende de uma série de tecnologias de produção agrícola, com uma demanda expressiva de informações e pesquisas, e consequentemente uma grande participação da assistência técnica e extensão rural. Isto implica em um aperfeiçoamento constante dos técnicos. As experiências desses técnicos em busca de uma efetiva parceria com o produtor rural estarão sendo expostas e discutidas.
Pequena propriedadeO plantio direto é responsável pela viabilização de muitas pequenas propriedades, com a utilização de práticas e implementos agrícolas adaptados, seja motomecanizados ou com tração animal. A experiência adquirida em relação a diferentes aspectos do plantio direto na pequena propriedade, desde a sua implantação até o uso das últimas novidades em termos de equipamentos, será apresentada e discutida.
O uso do plantio ou transplante direto na palha na olericultura ainda é pouco difundido no Brasil. Sua adoção deve ser adotada com cuidado em virtude da necessidade de maiores estudos envolvendo os aspectos como: espécies mais adaptadas, desenvolvimento de cultivares específicas, herbicidas mais recomendados, manejo de cobertura morta e dos restos culturais para cada espécie; rotação, aplicação de adubos, tipos de irrigação e modo de colheita. Estes temas também serão debatidos.
Os interessados em se inscrever para o 6º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha podem fazê-lo na Secretaria Executiva, em Brasília; pelo telefone (061) 273-2154 ou pelo fax (061) 274-7245.


