O preço da terra tem crescido anualmente no Brasil em torno de 13% nos últimos dez anos, avalia José Vicente Ferraz, diretor técnico da consultoria Informa Economics FNP, sediada em São Paulo. Com esse ritmo de crescimento, Ferraz avalia que o valor médio da terra brasileira cresceu em torno de 300% nos últimos dez anos.
Ferraz observa que o Brasil é muito heterogênio, ou seja, possui tanto terras muito caras, quanto baratas, sendo muitas dessas altamente produtivas e outras nem tanto. Nas áreas mais valorizadas, o diretor lembra que há regiões que tiveram uma valorização de até 600%. Ferraz observa que o valor da terra tem aumentado em todo o mundo. O motivo, avalia ele, se deve pelo aumento gradual da população mundial, que tem pressionado à demanda de alimentos, produtos têxteis e energia. "Existe uma dificuldade natural de atender a esse crescimento", destaca.
O diretor técnico afirma que Tocantins, parte do Maranhão, Oeste da Bahia e o Norte do Mato Grosso foram as regiões que registraram uma alta valorização das terras nos últimos anos. Em Rondonópolis (MT), por exemplo, o valor do hectare comercializado no mês passado chegou a R$ 19,5 mil.
No Norte do Mato Grosso, Ferraz explica que os recentes investimentos em corredores de exportação, que ainda estão em fase de construção, ajudaram a valorizar as propriedades da região. Daqui para frente, explica Ferraz, o ritmo de crescimento no valor da terra deve desacelerar aos poucos, até porque, avalia ele, não é viável para a economia o encarecimento contínuo da terra.
Questionado pela FOLHA sobre a possível influência do novo Código Florestal sobre os preços das propriedades rurais, Ferraz destaca que essa mudança ocorreu há dois anos, quando a reestruturação da lei estava sendo discutida em Brasília (DF). Hoje ele observa que a influência não é tão forte assim. (R.M.)

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