O Paraná é o primeiro estado do país a desenvolver um programa de recolhimento e triagem de embalagens de agrotóxicos, o Terra Limpa, lançado em outubro do ano passado pelo Governo do Estado. O programa prevê a instalação de 14 unidades de recebimento dos recipientes, numa primeira fase do projeto. Treze estão em funcionamento. A 14ª unidade, em Ponta Grossa, foi inaugurada ontem.
Pelo decreto do governo federal que normatiza o setor, embalagens vazias de agrotóxicos devem ser devolvidas pelos consumidores aos pontos de venda, até um ano após a compra. Outro opção é o consumidor entregar o recipiente em unidades de recebimento credenciadas.
Ficou estabelecido no decreto o prazo de 22 de janeiro de 2001 para que fabricantes e comerciantes de agrotóxicos criem estruturas adequadas para
receber as embalagens. Nessa data, empresas titulares do registro do agrotóxico também devem apresentar modelos de rótulo e bula atualizados.
ProgramaAs 13 unidades em funcionamento já receberam mais de 300 mil embalagens de agrotóxicos. A meta do governo estadual é colocar em operação mais 14 barracões até meados de 2001. Essa segunda etapa do programa será executada pelo programa ParanaSan. No final de julho, o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou decreto estabelecendo normas para o setor.
A base do programa Terra Limpa, executado pela Suderhsa e entidades ligadas ao meio ambiente, é a prática da tríplice lavagem. Quando o produto termina, o recipiente precisa ser lavado com água limpa por três vezes consecutivas, perfurado e armazenado em local apropriado. A água é depositada no pulverizador. Depois, esse material é recolhido e levado a uma das unidades regionais de recebimento e triagem e, finalmente, encaminhado para reciclagem. A Secretaria da Agricultura estima que 14 milhões de embalagens de agrotóxicos são utilizadas todos os anos no Paraná.
Somente em 98, foram consumidas 19,8 mil toneladas de produtos, dos quais 60% herbicidas. A maioria das embalagens é jogada dentro de rios, queimada, abandonada nas lavouras, enterrada e até utilizada para guardar água e alimentos, gerando problemas sérios à saúde e meio ambiente.
Inédito‘‘Mais uma vez o Paraná dá um exemplo ao País com um programa inédito de conservação ambiental, desta vez atendendo o setor rural’’, diz o governador Jaime Lerner. ‘‘Ações de conservação precisam se tornar uma atitude do nosso cotidiano. Se isso acontecer, o Terra Limpa será o maior projeto ambiental rural do mundo’’, acrescenta. ‘‘Com isso, evitamos que o agrotóxico contamine o lençol freático, a terra e o ar’’, diz o secretário do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura,
Estão em funcionamento as unidades do Terra Limpa nos municípios de Morretes, São Mateus do Sul, Prudentópolis, Cascavel, Colombo, Maringá, Palotina, Renascença, Cornélio Procópio, Cambé, Santa Terezinha do Itaipu, Tuneiras do Oeste e Umuarama.
As unidades têm 160 metros quadrados e são equipadas com um triturador de vidros e uma prensa para plásticos, papelão e metais. Nesta primeira etapa, 210 municípios paranaenses estão sendo atendidos pelo programa. Os investimentos no Terra Limpa passam de R$ 1 milhão.

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