A agroindústria paranaense está em compasso de espera. Redução no consumo de países importadores e a dificuldade de absorção do excedente no mercado interno fazem com que as empresas optem por diminuir a produção. Por ora, ninguém fala em demissões, ao contrário de grandes empresas nacionais que já diminuíram postos de trabalho, ou concederam férias coletivas aos funcionários.
  Cautela é a palavra de ordem atualmente na Copacol, de Cafelândia, que industrializou no ano passado 59 mil toneladas de frango. ‘‘Por enquanto não cogitamos demitir, mas vamos fazer adequações para redução de custos’’, afirma o presidente da empresa, Valter Pitol. A indústria da Copacol oferece mais de cinco mil empregos diretos e outros 4.100 indiretos com o sistema de integração de frango, suínos e leite. Segundo ele, as adequações são feitas em métodos de gestão da empresa, cuja ‘‘eficiência interfere no resultado’’.
  O frango responde por 60% do faturamento da empresa, que também tem unidades para fabricação de ração, incubadoras e produção de matrizes. Quarenta por cento da produção de frango são vendidas no exterior.
  De acordo com Pitol, a incerteza sobre os rumos da economia mundial impõe a necessidade de adequações.‘‘Estamos protelando investimentos que estavam previstos para este ano e mantendo só os essenciais’’, afirma.
  Dessa forma, a empresa deve atender a orientação da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef) e da União Brasileira de Avicultura (UBA) de redução de até 20% no alojamento de aves. Segundo Pitol, a disseminação da crise no mundo já causou redução no volumr exportado. Além disso, acrescenta, os preços estão de 40% a 50% mais baixos.
  O presidente da Coamo Cooperativa Agroindustrial, José Aroldo Gallassini, afirma que a cooperativa comemora recorde de faturamento no ano passado, com R$ 4,71 bilhões e espera bons resultados também em 2009. ‘‘Apesar da crise, que provoca restrição de crédito e juros mais altos, a Coamo não será atingida’’, diz.
  Segundo o dirigente o setor será afetado pela redução de consumo mundial, mas não fala em números. Mesmo a queda na produção agrícola, em função da estiagem, não terá efeito significativo nos postos de trabalho.
  Na cooperativa Lar, de Medianeira, que tem atualmente 4,4 mil empregados, também não há expectativa de redução de postos de trabalho por causa da crise. De acordo com a assessoria de imprensa a agroindústria atua no esmagamento de soja, processamento de carnes, empacotados, ovos e no abate diário de 140 mil aves. Sessenta por cento da produção são exportados.
  A Lar espera receber volume de matéria-prima igual ao do ano passado, mas 20% inferior ao previsto para 2009, em função da estiagem. Mas o volume deverá suprir as necessidades da indústria. (R.C.)

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