Empresa lidera consórcio anti-ferrugem
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Preocupado com o rápido avanço da ferrugem asiática no Brasil a partir de 2003 e com as perdas significativas ocorridas principalmente nas lavouras de soja do Centro-Oeste e do Nordeste, o Ministério da Agricultura convocou a Embrapa em meados do ano passado, em caráter de urgência, para liderar um mutirão preventivo para a safra 2004/05. A perda de grãos na safra 2003/04 representou nada menos que 4,6 milhões de toneladas (uma quebra de 9,2% na produção) em dinheiro, esse montante representou US$ 1,22 bilhão. Somado este valor aos gastos com aplicações extras de fungicidas (a ferrugem atacou 70% da área brasileira cultivada com soja), o prejuízo para o País chegou a US$ 2,28 bilhões no ano passado.
Em setembro de 2004, a Embrapa Soja realizou uma reunião com os fabricantes de fungicidas, que seriam os primeiros interessados num programa de controle da doença. Foi apresentada a eles a proposta de que arcassem com o custo de R$ 370 mil para a realização de um plano de divulgação em massa. ''Eles atenderam prontamente o pedido e em outubro formamos o Consórcio Anti-Ferrugem, integrado por 86 entidades vinculadas ao agronegócio da soja'', relata o pesquisador da Embrapa Soja Amélio Dall'Agnol, coordenador do programa em nível nacional.
Em primeiro lugar, foi elaborada uma palestra-padrão na unidade daEmbrapa em Londrina, que contou com a presença de 60 pesquisadores de todos os Estados produtores. Cada um destes, por sua vez, ficou responsável por treinar 50 técnicos em suas regiões agrônomos, de cooperativas e de empresas de insumos. Junto com a palestra, foram entregues a estes técnicos 3 mil CD-Roms para que ficasse mais fácil repassarem o conteúdo aos produtores. Dessa forma, Amélio Dall'Agnol estima que a palestra-padrão tenha chegado a 100 mil agricultores.
Como parte do programa, também foram distribuídos 100 mil folders explicativos. ''Existem hoje no País 220 mil produtores de soja e como todos buscam informações nas cooperativas, cremos que ninguém ficou sem saber da ferrugem'', acredita ele. Embora tenha sido um esforço emergencial, a intenção é continuar com esse consórcio na safra 2005/06. ''Afinal, a ferrugem agora está no Brasil e precisará ser controlada a cada safra'', finaliza Dall'Agnol.


