Empresa investe alto em orgânicos
O mercado brasileiro de alimentos orgânicos passa a contar com uma nova marca de café. Trata-se do Café Orgânico Native, produzido pelo grupo Balbo na Usina São Francisco, localizada em Sertãozinho (interior de São Paulo). A empresa, que já fabrica açúcar orgânico, pretende lançar uma linha de produtos livres de agroquímicos para serem consumidos no café da manhã. A previsão é disponibilizar no mercado uma média de dois lançamentos por ano, entre sucos, achocolatados e outros matinais.
Desde que a usina decidiu apostar na produção orgânica, há cerca de 8 anos, foram investidos mais de R$ 20 milhões para certificar o plantio de cana, café e soja orgânica pelo Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (IBD), de Botucatu (SP), credenciado pelo International Federation of Organic Agriculture Moviment (IFOAM). O fabricante garante que desde o cultivo até o processo de torrefação e embalagem, não foram utilizados defensivos, fertilizantes ou qualquer outro produto químico artificial.
Até o final do ano, a empresa pretende disponibilizar 400 toneladas de café no mercado. Cerca de 70% da matéria-prima utilizada é comprada de dois produtores do Sul de Minas Gerais, tradicional produtora de café arábica. O restante é plantado pelo próprio grupo em Sertãozinho. Os fornecedores também são certificados pelo IBD e receberão um ágio fixo sobre o preço do mercado, para remunerar os gastos adicionais que o produtor tem com a manutenção do cafezal orgânico. O preço pago não vai variar de acordo com as oscilações do mercado.
Qualidade O produto deve chegar ao mercado nas versões em grãos para café expresso, torrado e moído e o produto instantâneo liofilizado (desidratado a frio), que deverá ser o carro chefe no mercado nacional e para exportação. O diretor da Usina São Francisco, Leontino Balbo Júnior, garante que o rendimento do instantâneo é seis vezes superior ao do café comum, graças à utilização do processo de liofilização, que retira a água contida no café pelo fenômeno induzido da sublimação. O processo leva o produto do estado sólido direto para o gasoso, sem passar por altas temperaturas que prejudicam as qualidades nutricionais e organolépticas (aroma) do café.
Ele acrescenta que o café Native recebe uma torra mais acentuada, resultando em uma bebida com sabor pronunciado, consistente e com maior rendimento. A idéia é que o consumidor tenha a satisfação de tomar um café comparado às melhores bebidas vendidas no exterior, disse.
Pesquisa de mercado O lançamento do café Native foi precedido de uma ampla pesquisa de mercado, informou a empresa fabricante. Testes de degustação em vários supermercados de São Paulo constataram que 57% das 700 pessoas ouvidas consideraram a bebida ótima. Por 35% dos entrevistados, o café foi classificado como bom.
O Brasil é o segundo maior consumidor de café no mundo, ficando atrás apenas do mercado americano. Cada brasileiro consome aproximadamente 3,8 kg por ano, informou a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), que registrou cerca de 1.6 mil empresas que comercializam 2.595 marcas dos mais diversos tipos. As regiões Sul e Sudeste são os maiores mercados, com 75% das vendas.
Baseado nestes dados, a empresa decidiu lançar o café primeiramente no mercado interno, ao contrário do que foi feito com o açúcar Native, por acreditar na existência de um público cativo de brasileiros apreciadores da bebida. O açúcar orgânico Native foi lançado no mercado interno há cerca de um ano. O volume exportado foi triplicado em menos de três anos após seu lançamento no mercado internacional.





