Empregos diminuem 80 por cento
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 1997
Marccio W. Varella Sucursal de Maringá 
Era assimAntes grande empregador, atualmente o algodão dispensa mão-de-obra no Paraná
Estimativas da Emater para a região agrícola de Maringá (29 municípios) registram queda de 80% na área plantada de algodão este ano, em relação à safra do ano passado, e o número de trabalhadores na colheita deve cair, em consequência, 79,33%.
O diretor da Emater, Romualdo Faccin, afirma que na safra passada foram plantados 11 mil hectares na região de Maringá. Para a próxima safra apenas 2,2 mil hectares estão sendo plantados. Na safra 95/96, 3.630 trabalhadores fizeram a colheita do algodão, e para este ano, estão previstos apenas 750 empregos nessa lavoura.
O desempregoEm todo o Estado, estima Faccin com base em pesquisas do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimeento, estão sendo plantados 70 mil hectares de algodão para a próxima safra. Na safra 95/96, foram plantados 182 mil hectares. O número de trabalhadores nessa cultura caiu de 64 mil para 23,6 mil.
Arquivo FLAlgodão prejudicado pela chuva em fevereiro de 1993. Os fenômenos naturais são o menor problema da cotonicultura
Da safra 68/69 até 95/96 o algodão empregara em média, no Paraná, segundo cálculos feito pelo Deral, 125,8 trabalhadores por safra. A área média plantada nesse período atingiu 377 mil hectares. Na safra 91/92, foram plantados 704 mil hectares de algodão, que deram emprego a 232.320 trabalhadores. No total, a cotonicultura do Paraná desempregou 210 mil trabalhadores nas últimas seis safras - uma redução de 68%.
Faccin acredita que o principal fator da crise da cotonicultura é o estrangulamento causado pela política comercial do Governo Federal: As operações de importação de algodão pelas indústrias brasileiras são realizadas com vantagens: juros de 8% ao ano e prazo de 180 dias para pagar a dívida. No Brasil, os juros são de 8% ao mês. Além disso a tarifa de 2% do Mercosul, que já traz o subsídio embutido, não protege o nosso agricultor. E o custo de produção subiu muito depois do Plano Real. O custo da mão-de-obra ficou 35% mais caro.
O diretor da Emater lembra que a Argentina plantou na safra passada cerca de 700 mil hectares de algodão; não tem o bicudo e a colheita naquele país é feita por máquinas, enquanto no Brasil a colheita é manual.


