Emprego no campo entra na esteira da bonança
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sábado, 13 de fevereiro de 2010
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Com o afastamento da crise, que abalou e provocou temores ao redor do mundo, e com a abundância da safra de verão, o agronegócio deve caminhar a passos largos em direção a uma boa produção, produtividade e rentabilidade. Na esteira da bonança, também são boas as perspectivas de emprego na zona rural, impulsionadas sobretudo pelo crescimento do setor sucroalcooleiro e da agroindústria.
Alguns setores do agronegócio vão exigir um número maior de trabalhadores, o que deve aumentar os postos de emprego no Estado. A avaliação é de Ademir Mueller, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais do Paraná (Fetaep). Ele cita como os grandes impulsionadores do setor o desempenho excepcional da safra de verão, o aumento das exportações e manutenção dos preços dos produtos, apesar da grande oferta da safra.
Mueller afirma que a cana-de-açúcar vai ainda utilizar mão de obra porque houve atraso na colheita. ''Em torno de 20% ainda está na lavoura'', diz. Mas o potencial do setor sucroalcooleiro não se limita à prorrogação da safra. ''O bom preço do álcool e do açúcar estimula os investimentos em usinas'', afirma. Há ainda a previsão de aumento em torno de 20% na safra 2009/10, com produção entre 45 milhões e 46 milhões de toneladas. Segundo a Fetaep, o setor emprega atualmente no Paraná 75 mil pessoas, número que poderá chegar a 80 mil com as perspectivas de crescimento para o ano.
A cadeia da cana-de-açúcar emprega diversos trabalhadores. Há os que atuam no corte, no transporte e no processamento do produto nas usinas. Outra perspectiva positiva, segundo o presidente da Fetaep, é o aumento do remuneração dos trabalhadores. ''Com o aumento da demanda, a tendência é um salário melhor'', diz. Segundo ele, a média salarial dos cortadores é de R$ 820 e o piso da categoria é de R$ 550.
Mueller acrescenta que o setor enfrenta também a dificuldade em obter mão de obra porque os trabalhadores mais jovens procuram outras ocupações no campo ou na cidade. ''Os jovens querem atividades menos pesadas do que o corte de cana; os mais velhos deixam naturalmente o corte da cana por causa da idade'', relata.
Há ainda outras atividades na zona rural que devem manter ou ampliar o número de postos de trabalho no Paraná. Mueller cita a bovinocultura, a fruticultura e o café, que este ano pode ter grande produção. ''A mandioca, na região de Paranavaí (Noroeste), também deve empregar um bom contingente'', exemplifica.
Produtores de suínos e frangos pelo sistema de integração também têm boas perspectivas para o ano. Segundo Mueller, a indústria deve aumentar a demanda por matéria-prima, o que vai incrementar as atividades nas propriedades. ''Haverá utilização de mão de obra para a construção de barracões, mesmo que de pessoas da família, exigindo outras qualificações'', afirma.
De acordo com a Fetaep, existem no Paraná 420 mil empregos rurais. Desses, 280 mil são de trabalhadores volantes e 140 mil de pessoas com emprego fixo. Mueller afirma que 40% dos trabalhadores rurais têm carteira assinada, acima da média nacional que é de 35%.


