O Centro Nacional de Pesquisa de Soja em Londrina (Embrapa Soja) colherá no próximo mês a primeira soja transgênica cultivada em sua área experimental. É o primeiro estudo a campo. Foram cultivados 2 mil metros quadrados. Segundo o pesquisador Ricardo Vilela Abdelnoor, da área de Biotecnologia e presidente da Comissão de Biossegurança da Embrapa, estão sendo avaliados nesta experiência o número de aplicações de herbicidas, a melhor época de aplicação e a dosagem adequada.
A soja transgênica desenvolvida nos Estados Unidos tem como principal característica ser resistente aos herbicidas à base de glifosato. O gene resistente foi introduzido na planta e se manifesta nas folhas que resistem às aplicações do herbicida. ‘‘Esse novo elemento não interfere na formação ou qualidade dos grãos da soja, não oferecendo nenhum risco ao consumo humano ou animal’’, garante Abdelnoor.
Segundo o pesquisador, as vantagens desta tecnologia estão na redução de gastos que o produtor terá com o controle de plantas daninhas, apontado como um dos fatores mais onerosos no custo total de produção da soja.
Além de analisar a aplicação dos herbicidas, o experimento está servindo para o desenvolvimento de trabalhos na área de melhoramento. Segundo o melhorista Leones Alves de Almeida, os pesquisadores estão fazendo cruzamento da planta transgênica com o objetivo de incorporar o gene em algumas variedades já recomendadas para diversas regiões do Brasil.‘‘Mas o resultados ainda demoram. Só teremos variedades da soja transgênica para plantio comercial, talvez na safra 2000 ou 2001’’, afirma Leones.
Os dois pesquisadores acreditam que esta nova tecnologia veio para ficar. Segundo Leones, a maior parte dos países hoje já aceitam, e a polêmica criada pelo ambientalistas deve ser reduzida com os resultados dos experimentos.(C.C.)

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