Embrapa Soja também pesquisa trigo
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
O trigo responde atualmente por cerca de 30% da produção mundial de grãos. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostram que a produção mundial do cereal situa-se em torno de 590 milhões de toneladas/ano. Os maiores produtores são China, Comunidade Européia, Índia e Rússia, países que representam 64% do total mundial.
Na América do Sul, a Argentina é, com folga, o maior produtor e ocupa o quinto lugar na lista dos maiores exportadores mundiais. Produz em média 12 milhões de toneladas anuais. Apesar de participar com apenas 2% da produção mundial, os argentinos conseguem exportar, em média, 7,9 milhões de toneladas por ano, valor equivalente a demanda brasileira por importação.
Com o objetivo de criar novas variedades de trigo, adaptadas a climas mais quentes, a Embrapa Soja mantém, desde 1992, um programa de melhoramento para os Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, em parceria com a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária e com a Embrapa Trigo, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária responsável pela coordenação do Programa Nacional da cultura.
Segundo o pesquisador Sérgio Roberto Dotto, a Embrapa Soja tomou para si a responsabilidade de pesquisar novas variedades devido à diminuição do número de pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), com sede em Londrina, na década de 90. ''Não conseguiríamos desenvolver variedades para o Paraná no Rio Grande do Sul, pois não há melhoramento genético à distância. Por isso deslocamos um pesquisador da Embrapa Trigo para realizar o trabalho em campo aqui em Londrina'', assinala Dotto.
Ele lembra que no início, a unidade de pesquisa de trigo na Embrapa Soja contava com apenas um pesquisador e hoje já são cinco, que trabalham de forma independente, mas que estão em contato direto com a equipe de Passo Fundo (RS). ''Três participam da criação de novas cultivares, um é fisiologista e trabalha com sementes e o outro coordena a difusão de tecnologia'', aponta.
O melhoramento genético é dinâmico e realizado em etapas, segundo Dotto. Primeiramente, as cultivares já existentes são semeadas, em quatro épocas diferentes. Durante o florescimento, é feito o cruzamento entre as variedades e em seguida, são selecionadas as mais interessantes. ''Colhemos amostras e mandamos à Embrapa Trigo, em Passo Fundo, para análise laboratorial'', afirma. Em média, os pesquisadores demoram sete anos para criar uma linhagem promissora e 12 anos para lançar uma nova variedade.


