Embrapa Soja coordena projeto de biocombustível
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sexta-feira, 04 de novembro de 2005
Reportagem Local 
A Embrapa Soja junto a outras 37 instituições de ensino e pesquisa brasileiras elaboraram um projeto de desenvolvimento tecnológico para a produção de biocombustível. O projeto dará ênfase às pesquisas com culturas agrícolas que produzam biomassa e deverá ser implementado nos próximos quatro anos.
Com uma verba de R$ 8 milhões, pretende-se estudar a viabilidade das cadeias produtivas de soja, girassol, canola, mamona e dendê, incluindo os co-produtos resultantes destas cadeias na obtenção de biocombustíveis. ''A principal questão a ser respondida é se estas cadeias produtivas podem se tornar fontes viáveis, competitivas e sustentáveis de biocombustíveis, atualmente e no futuro'', explica o pesquisador da Embrapa Soja, Décio Gazzoni, que lidera o projeto.
Para Gazzoni, a produção de biocombustíveis produto de fontes renováveis de energia - é a opção para substituir a base energética atualmente calcada no uso de combustíveis fósseis. ''Além de não renováveis, os combustíveis fósseis aumentam a poluição no ambiente, o aquecimento global e o efeito estufa'', destaca. ''Na Embrapa o tema possui atenção destacada em razão de que os biocombustíveis empregam como matéria-prima vários produtos agrícolas''.
Outra linha de ação do projeto é o desenvolvimento de tecnologias para utilização das tortas produto resultante da extração de óleo da mamona e do girassol. A torta possui teores elevados de proteína que podem substituir as tradicionais fontes protéicas utilizadas na formulação de ração animal. ''Um outro co-produto da extração do óleo de mamona é o glicerol que precisa ser avaliado quanto a sua composição, por meio de processos de baixo custo que resultem em produtos de pureza ou composição próximas aos produtos comerciais'', diz o pesquisador.
Os envolvidos pretendem também elaborar um zoneamento agroecológico de oleaginosas para produção de biocombustível. ''O zoneamento agroecológico é uma ferramenta que permite a divisão de uma grande área geográfica em unidades menores de terra com características similares quanto à aptidão para determinados cultivos, ao potencial de produção e ao impacto ambiental de sua utilização'', diz o pesquisador Antonio Ramalho Filho, da Embrapa Solos, do Rio de Janeiro (RJ).
Bastante abrangente, o projeto objetiva ainda desenvolver protótipos comerciais para produção de biocombustíveis e também avaliar os impactos do uso do ecodiesel nos motores de ciclo diesel em caminhões, tratores, camionetes e ônibus, em tarefas usuais e rotineiras. ''Será analisada também a composição da emissão dos gases de escapamento de motores de ciclo diesel, movidos a ecodiesel'', diz Gazzoni.
A obtenção de biodiesel de óleos vegetais já é utilizada na Europa e nos EUA. No Brasil, a Embrapa, em parceria com a Universidade de Brasília, desenvolveu um novo método para obtenção de biodiesel chamado de craqueamento. ''A vantagem desse processo, em relação ao método tradicional, é que o produto sai pronto para ser utilizado pelos motores e não há sub-produtos como a glicerina, o que deve facilitar a utilização por pequenos e médios produtores'', avalia Gazzoni.


