Embrapa Soja comemora 28 anos
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sexta-feira, 18 de abril de 2003
Reportagem Local 
Na solenidade de comemoração de 28 anos da Embrapa Soja, sediada em Londrina, na última quarta-feira, dia 16, a diretora da Embrapa, Mariza Barbosa, participou do lançamento oficial de quatro novas das cultivares de soja, resultantes da parceria entre a Embrapa e a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa.
O chefe da Embrapa Soja, Caio Vidor, destacou os principais resultados obtidos pela empresa nesses 28 anos, afirmando que ''são desenvolvidas tecnologias para os diferentes sistemas de produção, buscando competitividade e sustentabilidade à soja e ao girassol, em nível nacional, e ao trigo no Paraná.''
Em termos de soja, a Embrapa responde hoje por cerca de 60% da produção desse mercado. Com o lançamento das cultivares BRS 230, BRS 231, BRS 232 e BRS 233, indicadas para o Paraná, São Paulo e Santa Catarina, esses Estados, segundo Caio Vidor, terão mais opções para se manterem competitivos, já que produzem 25% da safra nacional de soja.
A BRS 231, por exemplo, é a primeira cultivar de soja resistente ao nematóide de cisto para a região Sul do Brasil. O nematóide de cisto surgiu primeiramente na região Centro-Oeste, mas já está presente nos Estados do Centro-Sul.
A doença altera as funções das raízes da soja, reduzindo a habilidade das plantas em absorver água e nutrientes. As plantas severamente atacadas apresentam redução no seu crescimento e na produção de grãos, o que afeta sensivelmente a produtividade da soja. ''Essa cultivar apresenta grande vantagem produtiva em regiões de elevada incidência de nematóides'', garantiu Caio Vidor.
Os outros lançamentos são as cultivares BRS 230, BRS 232 e BRS 233 que apresentam tolerância aos nematóides de galha, praga que forma tumores nas raízes, levando ao apodrecimento do sistema radicular. ''Em casos severos, as folhas ficam amarelas; ocorre o abortamento de vagens, o que leva à morte de plantas'', explicou Vidor.
Segundo ele, além da boa resistência ao nematóide de galha, as cultivares BRS 230, BRS 232 e BRS 233 produziram acima de 6%, 8% e 4%, respectivamente, quando comparadas aos padrões mais produtivos da região. ''A severidade de doenças, como os nematóides de galha e de cisto, pode inviabilizar não apenas a produção da soja, mas também a sustentabilidade agrícola'', afirmou o pesquisador.
Contribuição - Quando a Embrapa Soja foi criada, em meados dos anos 70, a produção nacional de soja era de aproximadamente 10 milhões de toneladas. Na safra 2002/03, o Brasil cultivou cerca de 18 milhões de hectares, produzindo 50 milhões de toneladas do grão. Isso garante ao País a segunda posição entre os grandes produtores mundiais, atrás, apenas, dos Estados Unidos.
Por trás do aumento da produtividade brasileira está o desenvolvimento de tecnologias para viabilizar a agricultura nacional. Simultâneo à geração de novas cultivares, foram desenvolvidas e adotadas outras tecnologias, como o manejo dos solos e da sua fertilidade; o manejo adequado da cultura para os diferentes ecossistemas brasileiros; o manejo integrado das pragas e das plantas daninhas; o controle biológico da lagarta da soja e do percevejo verde, as mais importantes pragas da cultura; entre outras.


