Quem olha hoje o mapa brasileiro nos pontos onde a soja é cultivada e obtém bons redimentos nem imagina que isso só foi possível graças às pesquisas da Embrapa Soja para o desenvolvimento de tecnologia para a cultura. Atualmente, a produção do grão em áreas do cerrado brasileiro, em estados como o do Maranhão, Piauí e Tocantins - região batizada de MaToPi -, é o reflexo de que gerar e disseminar o conhecimento contribui diretamente para o desenvolvimento de um país, nesse caso o Brasil.
Pedro Moreira da Silva, pesquisador e gerente adjunto de comunicação e negócios da Embrapa Soja, conta que desde o início da década de 1980, a entidade identificou a viabilidade produtiva da região centro-oeste do País. Já na década de 1970, segundo ele, muitos paranaenses foram produzir a oleaginosa na região de Brasília. O processo foi estendido para Minas Gerais e, aliado às pesquisas da Embrapa, a produção da cultura avançou para áreas de baixa latitude.
A primeira variedade testada na região do MaToPi, por exemplo, foi a Tropical, já conhecida dos produtores do Sul. ''A variedade se adaptou bem lá, foi o ponto de partida'', relembra Silva. Hoje dezenas de cultivares já foram testadas e são cultivadas, duas em especial, segundo o pesquisador, têm respondido mais positivamente: a BRS Sambaíba e a BRS Tracajá. E outros dois materiais, o BRS 278 e o BRS 279, estão em expansão.
Diante das boas perspectivas, para sustentar os trabalhos de pesquisas a Embrapa Soja montou, em meados da década de 1980, uma base da entidade bem no meio dessa região em franca expansão. A cidade de Balsas, no Maranhão, foi a escolhida. De acordo com Silva, pesquisadores se transferiram para lá e têm realizado um trabalho bastante responsável no local.
Atualmente a Embrapa detém cerca de 30% do mercado da região do MaToPi, o que soma um volume de área entre 300 mil a 400 mil hectares, no Maranhão, por exemplo. Após a abertura dessa região pela Embrapa, reforça Silva, outras empresas e organizações entraram nesse mercado. ''Mas quem tornou a região viável foi a Embrapa'', ressalta o pesquisador, frisando que a empresa levou junto com a tecnologia, a cultura de produção, industrialização e comércio de insumos.
''Palmas (TO), no início da década de 1980 quase nem existia no mapa, hoje tem boa infraestrutura, com bons hospitais, escolas e universidades'', informa o pesquisador. E lembra que essa é a grande demanda: ''o desenvolvimento social, a contribuição para que o cidadão cresça e depois também possa contribuir com a comunidade''.
Além de questões sociais, a produção da soja, aliada às pesquisas da Embrapa, viabiliza outras culturas, que dá sustentabilidade ambiental: integração com milho, por exemplo. Para ressaltar o interesse da instituição nesse ponto, a Embrapa (geral) instalou uma unidade no Maranhão, visando ao desenvolvimento de pesquisas para as regiões dos cocais, com um olhar mais agroecológico.
E para que a região continue nesse processo de crescimento, Silva pontua que alguns gargalos deverão ser vencidos, como a melhoria da estrutura de Porto Franco, no rio Tocantins, responsável pelo escoamento de boa parte da produção da região, de pontos de armazenamento e a duplicação de rodovias. (E.Z.)

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