Embrapa recomenda reflorestamento
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de dezembro de 1996
Elvira Fantin<br> Sucursal de Curitiba 
O Centro Nacional de Pesquisa de Floresta (CNPFloresta), da Embrapa, com sede em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, está estudando a aroeira como opção de reflorestamento para as regiões Norte e Oeste do Paraná. Um plantio experimental está sendo conduzido em Foz do Iguaçu, na área da hidrelétrica de Itaipu, onde em 1,5 hectare estão plantadas 2 mil árvores que já se encontram no quinto ano e se desenvolvem bem.
A espécie que está sendo estudada pela Embrapa nesse projeto é a chamada aroeira verdadeira, aquela que fornece madeira para a construção de mourões e tábuas para mangueira . A aroeira verdadeira fornece uma madeira impetrufável, ou seja, que não apodrece nunca, conta o pesquisador Paulo Ernani Ramalho Carvalho, da Embrapa/Floresta. Carvalho comenta que no Norte e Nordeste do Brasil, área de ocorrência natural da aroeira verdadeira, existe um ditado que diz:A aroeira dura toda a vida e mais 100 anos. Este ditado, segundo o pesquisador, retrata exatamente o que é esta espécie. A madeira fornecida pela aroeira é mesmo para a vida toda.
Interesse A aroeira verdadeira ocorre do Ceará a São Paulo e há também registros de exemplares da espécie no Paraguai e Bolívia. No Paraná, esta aroeira não ocorre naturalmente. Por aqui o que existe é a chamada aroeira pimenteira, uma espécie botânica também rica, mas com outras finalidades, não para o aproveitamento da madeira.
A aroeira pimenteira é uma árvore melífera, explica o pesquisador Paulo Ernani Carvalho. Segundo ele, a aroeira pimenteira fornece um fruto vermelho, que pela coloração forte atrai os pássaros que acabam carregando as sementes e propagam facilmente a espécie. Ramalho conta que por isto esta árvore é muito comum no Paraná. É a chamada prima-pobre da aroeira verdadeira, brinca o pesquisador.
Ao contrário da prima-pobre, a aroeira verdadeira é rara hoje no Brasil. A aroeira verdadeira está na lista de espécies ameaçadas de extinção, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Por isso, a Embrapa incluiu a espécie em suas pesquisas e quer recomendar o plantio como opção de reflorestamento. De acordo com Paulo Ernani Carvalho, a aroeira demora de 15 a 20 anos para atingir a idade de abate. Por isso ela é pouco plantada, já que os reflorestadores, com uma visão mais imediatista, acabam optando por espécies que fornecem madeira mais cedo.
Na avaliação do pesquisador, no entanto, a aroeira é interessante para os pequenos produtores que podem utilizar a espécie para diversificar a propriedade. Em apenas um hectare é possível plantar 1.500 árvores, e cada árvore pode fornecer até três mourões. A dúzia do mourão de aroeira está cotada a R$ 45,00.


