O Centro Nacional de Pesquisa de Floresta (CNPFloresta), da Embrapa, com sede em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, está estudando a aroeira como opção de reflorestamento para as regiões Norte e Oeste do Paraná. Um plantio experimental está sendo conduzido em Foz do Iguaçu, na área da hidrelétrica de Itaipu, onde em 1,5 hectare estão plantadas 2 mil árvores que já se encontram no quinto ano e se desenvolvem bem.
A espécie que está sendo estudada pela Embrapa nesse projeto é a chamada ‘‘aroeira verdadeira’’, aquela que fornece madeira para a construção de mourões e tábuas para mangueira . ‘‘A aroeira verdadeira fornece uma madeira impetrufável, ou seja, que não apodrece nunca’’, conta o pesquisador Paulo Ernani Ramalho Carvalho, da Embrapa/Floresta. Carvalho comenta que no Norte e Nordeste do Brasil, área de ocorrência natural da aroeira verdadeira, existe um ditado que diz:‘‘A aroeira dura toda a vida e mais 100 anos’’. Este ditado, segundo o pesquisador, retrata exatamente o que é esta espécie. A madeira fornecida pela aroeira é mesmo para a vida toda.
Interesse’’ A aroeira verdadeira ocorre do Ceará a São Paulo e há também registros de exemplares da espécie no Paraguai e Bolívia. No Paraná, esta aroeira não ocorre naturalmente. Por aqui o que existe é a chamada ‘‘aroeira pimenteira’’, uma espécie botânica também rica, mas com outras finalidades, não para o aproveitamento da madeira.
‘‘A aroeira pimenteira é uma árvore melífera’’, explica o pesquisador Paulo Ernani Carvalho. Segundo ele, a aroeira pimenteira fornece um fruto vermelho, que pela coloração forte atrai os pássaros que acabam carregando as sementes e propagam facilmente a espécie. Ramalho conta que por isto esta árvore é muito comum no Paraná. ‘‘É a chamada prima-pobre da aroeira verdadeira’’, brinca o pesquisador.
Ao contrário da prima-pobre, a aroeira verdadeira é rara hoje no Brasil. ‘‘A aroeira verdadeira está na lista de espécies ameaçadas de extinção, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Por isso, a Embrapa incluiu a espécie em suas pesquisas e quer recomendar o plantio como opção de reflorestamento. De acordo com Paulo Ernani Carvalho, a aroeira demora de 15 a 20 anos para atingir a idade de abate. ‘‘Por isso ela é pouco plantada, já que os reflorestadores, com uma visão mais imediatista, acabam optando por espécies que fornecem madeira mais cedo’’.
Na avaliação do pesquisador, no entanto, a aroeira é interessante para os pequenos produtores que podem utilizar a espécie para diversificar a propriedade. Em apenas um hectare é possível plantar 1.500 árvores, e cada árvore pode fornecer até três mourões. A dúzia do mourão de aroeira está cotada a R$ 45,00.

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