Embrapa lançou nova forrageira
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
A Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), lançou em abril a multilinha Campo Grande. O nome da nova cultivar é uma homenagem a capital de Mato Grosso do Sul, onde está instalada a unidade de pesquisa. A multilinha é uma leguminosa forrageira composta de uma mistura física de sementes de várias linhagens dos estilosantes: Stylosanthes capitata e S. macrocephala, estudados desde 1992.
Depois de três anos de testes de adaptação, em cinco regiões diferentes, a multilinha Campo Grande desenvolveu-se melhor em locais de solo arenoso, como os do Brasil Central.
Por ser uma leguminosa, é capaz de fixar biologicamente o nitrogênio do ar (em torno de 180 quilos de nitrogênio por hectare ao ano), o que reduz os gastos com adubação nitrogenada. A distribuição de sementes da nova leguminosa às empresas produtoras de sementes está prevista para acontecer no segundo semestre de 2000.
Segundo o pesquisador Celso Dornelas Fernandes, cientista que pesquisou a multilinha no primeiro ano, esse estilosantes produz até 150 quilos de sementes e, no segundo, 250 quilos.
Mais peso A nova planta, garante o pesquisador, tem alto teor de proteína, de 18% a 22% - superior ao de uma gramínea, que apresenta de 8% a 14% e é palatável, que resulta em ganho de peso animal. Em sistema de consorciação com Brachiaria decumbens, o rebanho do experimento pesou cerca de 18% a mais - em média - se comparado a outro alimentado somente com a braquiária pura.
Em produção e colheita de sementes, a multilinha, afirma Fernandes, também sai na frente de outros produtos. A colheita de sementes pode ser mecanizada como a da soja, por exemplo. A nova leguminosa tem boa capacidade de ressemeadura natural. As sementes germinam simplesmente ao cair na terra.
Outra vantagem, enumera o pesquisador, é que apresenta elevado grau de resistência à antracnose, doença limitante para o plantio de leguminosas, pois tem provocado grandes prejuízos nas pastagens, explica.
Pesquisa antiga Há quase 15 anos, a Embrapa iniciou experimentos na Fazenda Maracujá (município de Campo Grande, MS). Mesmo em área de solo arenoso e sob pastejo intenso, a equipe de pesquisadores, na época coordenada pelo consultor australiano, Bela Grof, notou a sobrevivência de duas espécies de plantas: o Stylosanthes capitata e S. macrocephala.
Nosso trabalho inicial foi o de tentar reproduzir o que a natureza mostrava, conta Fernandes. Depois de utilizar blocos de cruzamentos múltiplos com materiais disponíveis na Embrapa Gado de Corte e do acompanhamento de seis gerações da planta, foram definidas as características dessa multilinha.
Submetida a testes de adaptação em cinco locais diferentes. O cultivo foi melhor em regiões de solo arenoso do Brasil Central. No teste sob pastejo, o ganho de peso vivo diário na consorciação braquiária/multilinha foi de 542 gramas por animal, com lotação de 1,4UA/ha, enquanto que no sistema com a braquiária pura foi de 464 gramas.
A consorciação gerou um ganho de peso animal de cerca de 18% a mais que no sistema só com a gramínea. Em um ano, a produção de carne na consorciação foi de 401 Kg/ha, enquanto que nos testes com a braquiária exclusiva não passou de 338 Kg/ha.


