Embrapa lança novidades para o milho
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sexta-feira, 21 de setembro de 2001
Carolina Avansini<br> De Londrina 
Maior produtividade e boa adaptação a diferentes regiões do País são características de quatro novas cultivares de milho que a Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas (MG), lançou no mercado. Os produtos, que fazem parte do programa de melhoramento genético da empresa, desenvolvem-se bem em todo o Centro-Oeste, Sudeste, norte do Paraná, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins.
A instituição de pesquisa também está divulgando tecnologias de controle biológico da lagarta-do-cartucho, a principal praga do milho. Utilizando o baculovirus e a vespinha tricograma, que são inimigos naturais da praga, pesquisadores conseguiram controlar o inseto sem aplicar defensivos químicos. Apesar de eficientes, as substâncias ainda não estão sendo comercializadas em larga escala porque poucas indústrias se interessaram em produzi-las.
Novas cultivares Uma das novas cultivares apresentadas pela Embrapa Milho e Sorgo é o BRS 1001, o primeiro híbrido simples de milho da empresa. A variedade apresenta maior uniformidade de plantas e espigas, permitindo que o produtor atinja os níveis máximos de produtividade. Com alto nível de estabilidade de produção, o BRS 1001 possui grãos do tipo duro e de cor laranja. De porte baixo, tem boa resistência ao acamamento e ao quebramento, além de ciclo precoce.
Já o BRS 2223 representa uma evolução no conceito de híbridos duplos no País, graças à sua arquitetura moderna, alta produtividade e seu ciclo superprecoce. A cultivar possui plantas de porte baixo, bom empalhamento e seus grãos secam mais rápido no campo, caracterizando-o como um híbrido bastante competitivo também para os plantios na safrinha.
Outro lançamento é o híbrido triplo BRS 3143, que possui potencial genético para responder com produtividade aos maiores níveis de tecnologia utilizados pelos produtores. O híbrido é moderno, produtivo e possui grãos semiduros e de cor laranja-avermelhada, os preferidos do mercado. Além disso, esse milho é precoce e possui bom empalhamento.
O BRS 3151 apresenta ótima produtividade, elevada estabilidade e ampla adaptação. De porte médio, esse híbrido triplo tem ciclo precoce, espigas longas e bem empalhadas e ótima sanidade de grãos. Outra característica do BRS 3151 é a sua boa resistência ao acamamento e ao quebramento.
Controle biológico Reestabelecer o equilíbrio do ambiente diminuindo o uso de agrotóxicos na lavoura é o objetivo das tecnologias de controle biológico desenvolvidas pela Embrapa Milho e Sorgo. De acordo com o pesquisador Ivan Cruz, tanto o baculovirus como a vespinha tricograma são inimigos naturais da lagarta-do-cartucho. Quando liberados na lavoura, os produtos atacam a praga e a eliminam.
A diferença entre as duas técnicas é que o baculovirus atinge a lagarta, enquanto a vespinha elimina o problema em uma fase anterior, ao se alimentar dos ovos. ''Nas áreas mais infestadas, o produtor pode usar os dois métodos'', sugeriu Cruz.
Na safra de verão 2000/2001, a Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) testou as duas técnicas de controle biológico em sua fazenda experimental. ''Obtivemos o controle total da lagarta-de-cartucho sem utilizar defensivos químicos. A experiência validou a tecnologia'', afirmou Joaquim Mariano Costa, engenheiro agrônomo da empresa.
Industrialização Ivan Cruz informou que as duas tecnologias já foram dominadas para produção em escala comercial e encontram-se à disposição da iniciativa privada. Os fabricantes de defensivos, porém, ainda não se interessaram em industrializar os inseticidas biológicos. Segundo Ivan Cruz, apenas a empresa Biopred, de Uberlândia, comercializa a vespinha.
Com relação ao baculovirus, a Folha apurou que a empresa Codetec tentou fabricar os defensivos, mas esbarrou nos altos custos de produção. ''Temos interesse em produzir, mas ainda não encontramos um caminho competitivo'', argumentou o diretor executivo Ivo Marcos Carraro.
A principal dificuldade, segundo ele, é coletar as lagartas infectadas para extrair o vírus.''No caso da soja, as lagartas mortas ficam na superfície das folhas, facilitando o recolhimento no campo. Já a lagarta do milho fica dentro das folhas, inviabilizando a coleta'', revelou.
A solução seria reproduzir os insetos em laboratório, o que demanda muitos investimentos e acabaria encarecendo o produto final. ''É uma tecnologia fantástica, mas complicada de massificar. O desafio da pesquisa é reduzir os custos de produção'', opinou, lembrando que 10% dos produtores nacionais já fazem o controle biológico da soja. ''Quando o preço é acessível, os agricultores aderem ao produto.''
ServiçoProdutores interessados em saber mais sobre o controle biológico da lagarta-do-cartucho ou sobre as novas cultivares podem entrar em contato com a Embrapa Milho e Sorgo pelo telefone (31) 3779-1000, fax (31) 3779-1088 ou no site www.cnpms.embrapa.br .


