Para comemorar 30 anos de fundação, a Embrapa Soja lançou, no final de abril, 20 novas cultivares de soja, entre elas 13 transgênicas, que deverão atender os produtores do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Bahia.
Das cultivares convencionais, o destaque são as novas BRS 213, BRS 257 e BRS 258, desenvolvidas para atender o sistema orgânico de produção. Essas três variedades ainda apresentam uma vantagem a mais em relação aos demais lançamentos, a ausência da enzima lipoxigenasis. Segundo Milton Kaster, agrônomo da equipe de melhoramento genético da Embrapa Soja, sem esta enzima, a soja fica com um sabor mais suave e pode ser utilizada na alimentação humana. ''São variedades de grão grande e pesado, com alto teor de proteína e hilo claro'', explica.
De acordo com o agrônomo Antônio Eduardo Pipolo, que também integra a equipe de melhoramento genético da Embrapa Soja, as pesquisas com a soja transgênica começaram há oito anos, quando a Embrapa estabeleceu parceria com a Monsanto e teve aceso ao gene Roundup Ready (RR), que confere tolerância ao herbicida glifosato.
Em 2000, a Embrapa assinou um novo contrato, que permite a exploração comercial do gene, o qual foi inserido nos materiais genéticos já existentes, dando origem a sete das 13 variedades transgênicas lançadas em abril. ''Além de resistirem ao glifosato, as plantas de soja apresentam alta capacidade de adaptação, boa qualidade de sementes, resistência às principais doenças e ainda alto potencial de rendimento'', aponta Pipolo.
As antigas Embrapa 58, Embrapa 59, BRS 133 e BRS 247, cultivadas no Sul e Sudeste do País, deram origem aos lançamentos BRS 242 RR, BRS 244 RR, BRS 245 RR e BRS 27 RR, respectivamente. Já as cultivares BRS Conquista, BRS Celeste e BRS 60 Jataí, plantadas principalmente no Cerrado brasileiro, originaram as novas BRS Valiosa RR, BRS Baliza RR e BRS Silvânia RR. Outro destaque entre as transgênicas são as cultivares BRS Charrua RR e BRS Pampa RR, destinadas exclusivamente para o plantio de soja no Rio Grande do Sul.
''Os produtores acostumados a certas variedades convencionais da Embrapa já podem recorrer às suas derivadas transgênicas, que apresentam mesmo potencial produtivo e a vantagem de controlar mais facilmente a incidência de plantas daninhas'', analisa Pipolo.
O agrônomo lembra que a cultivar transgênica BRS 256 RR apresenta mais uma vantagem em relação às concorrentes, que é a resistência ao nematóide de galha. ''O controle mais efetivo dessa doença é o genético'', diz. O mesmo ocorre para a variedade convencional BRS 262, único lançamento da Embrapa Soja resistente ao nematóide de cisto.
Segundo Pipolo, 99,4% dos agricultores gaúchos trabalham com sementes transgênicas. No Paraná, ainda há um equilíbrio devido às restrições do governo estadual. O engenheiro ressalta ainda que a Embrapa nunca deixará de ofertar variedades convencionais, apesar do mercado atual estar voltado para o consumo de transgênicas, cuja vantagem é apenas a resistência ao glifosato. ''Quando uma nova cultivar é lançada, o produtor tem um ganho de produtividade entre 1,5% a 2%, em razão da adaptabilidade e maior resistência a doenças'', conclui.

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