Embrapa já desenvolveu sete cultivares de trigo
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
Nelson Bortolin<br> Especial para a FOLHA 
Em virtude das diferenças de clima e solo, as pesquisas referentes ao trigo plantado no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul estão sob a responsabilidade da Embrapa Soja em parceria com a Embrapa Trigo, que fica no Rio Grande do Sul. O trabalho com o cereal por aqui começou em 1993. E os frutos dessas pesquisas começaram a chegar ao mercado em 2000.
Atualmente, estão disponíveis sete cultivares desenvolvidas pela Embrapa Soja. Em 2004, elas representavam apenas 15% da área plantada no Estado, mas hoje já tomam 45% do mercado paranaense. E esse porcentual deve aumentar a julgar pelo sucesso das duas mais recentes: BRS Pardela e BRS Tangará. Em um ano, as duas juntas saltaram de uma participação de apenas 0,4% para 6%. ''Não existe uma cultivar perfeita. Nosso desafio é oferecer alternativas ao produtor'', explica o pesquisador Manoel Bassoi.
Ele lembra que o trigo do Paraná, maior produtor nacional, é de alto padrão, destinado à panificação. ''A Pardela se destaca pela alta força de glúten. É a top em termos de qualidade para panificação'', diz Bassoi. Já a Tangará, segundo o pesquisador, além da qualidade para panificação é adaptada ao clima frio, portanto mais adequada às regiões Sul e Oeste do Paraná e a Santa Catarina.
Antes das duas, a Embrapa Soja já havia lançado outras cinco, mas duas delas se destacam no mercado: a BRS 220 e a BRS 208. ''A BRS 220 é um material altamente produtivo, de ampla adaptação desde o Mato Grosso a Santa Catarina'', informa o pesquisador. Hoje, essa cultivar responde por 22% da área plantada no Paraná.
Já a BRS 208 foi a primeira cultivar de alto nível de resistência a enfermidades. ''O rendimento de grãos não é tão elevado como a BRS 220, mas é garantia certa de colheita. É a terceira mais plantada no Estado'', ressalta Bassoi. Outro destaque da Embrapa Soja é a BRS 229, única resistente à brusone e com boa resistência à germinação para colheita. Nenhuma das cultivares de trigo é transgênica.
Além da capacitação de seus pesquisadores, a Embrapa conta com um fator determinante para o sucesso do trabalho com o trigo: a parceria com a Fundação Meridional no desenvolvimento de cultivares e na transferência de tecnologia.
''O mais importante do nosso trabalho conjunto é o apoio direto ao desenvolvimento de variedades de trigo e triticale que atendam à demanda do mercado'', diz Ralf Dengler, gerente executivo da Fundação Meridional. Ele ressalta a execução de uma rede de testes, com 22 locais distribuídos no Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. ''Essa rede é fundamental para dar segurança nas indicações técnicas para o agricultor.''


