Embrapa intensifica combate à praga
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de novembro de 1998
Da redação 
Uma nova geração de inseticidas pode ser alternativa no combate a uma das pragas mais temíveis na agricultura brasileira, a mosca-branca. O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Massaru Yokoyama, está estudando produtos seletivos de crescimento e também de princípio ativo neoniciotinóides que mostram maior eficiência no combate ao inseto. Esses produtos estão sendo apresentados pelo pesquisador em cursos realizados pela Empresa em todo o País.
A Embrapa está engajada no Plano Emergencial para o Controle da mosca-branca e já promoveu quatro cursos para formar técnicos que possam multiplicar as tecnologias hoje utilizadas para acabar com a praga. As atividades começaram em agosto, com o primeiro curso em Teixeira de Freitas (BA), depois em Açu (RN), Petrolina (PE) e, por último em Goiânia, totalizando 140 multiplicadores.
CursosA idéia é repassar as técnicas para cerca de 70 mil pessoas até o fim do ano, afirma Darci Gomes, da Coordenadoria de Transferência de Tecnologia da Embrapa. Ele explica que foram convocados apenas técnicos e extensionistas rurais para os primeiros cursos, para que eles gerem, cada um, outros cursos para uma turma entre 25 e 35 pessoas. Pedimos às secretarias estaduais de Agricultura e às empresas de extensão que indicassem pessoas que tivessem amplo conhecimento dos produtores de sua região. Assim, fica fácil multiplicar a informação, explica.
As principais técnicas repassadas são a do manejo integrado, indicação dos inseticidas mais eficientes e de como aplicá-los, e noções sobre o manuseio dos aplicadores. A mosca-branca tem causado prejuízos a muitos produtores brasileiros, principalmente àqueles que cultivam feijão, soja, abóbora, algodão e frutas como o melão, melância e tomate.
PrejuízosInseto de dimensões mínimas e de rápida reprodução, a mosca-branca ocorre no Brasil desde 1991. Calcula-se que as perdas cheguem a R$1 bilhão. Conhecida no meio científico por Bemisia argentifolii ou mosca-branca da folha prateada, a praga é tida pelos especialistas como uma variação de outra da mesma espécie, a Bemisia tabaci.
No Brasil, convive-se bem com a Bemisia tabaci, sem que o inseto tenha causado danos expressivos, conforme informações de produtores. O mesmo, no entanto, não acontece com a Bemisia argentifolii. Ela se instala nas plantas hospedeiras para tirar sua seiva, o que é capaz de fazer ainda na fase de ninfa, e é vetora de viroses. Se ela se alimentar de uma planta já contaminada pelo vírus do mosáico-dourado (praga extremamente virulenta que ocorre no feijão), a mosca-branca pode infectar uma planta sadia.


