Cascavel - A ferrugem asiática da soja continua preocupando pesquisadores e, principalmente produtores. Durante o Show Rural Coopavel, nesta semana, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou que novos focos da ferrugem da soja foram identificados em regiões produtoras do Paraná na atual safra 2002/2003. A doença continua mais concentrada nos estados do Centro-Sul do país.
A empresa aproveitou o evento para oferecer à produtores palestras com informações sobre a doença. Segundo o pesquisador, Lineu Domit, os sintomas têm sido encontrados em lavouras não comerciais (campos de germinação de sementes) e lavouras comerciais onde não foram utilizados fungicidas, ou onde foram utilizados exclusivamente fungicidas do grupo dos benzimidazóis (que não controlam a ferrugem) e onde as aplicações foram realizadas muito cedo.
Ele explica que em áreas próximas aos focos onde foi feita aplicação de fungicida para o controle das doenças de final de ciclo utilizando-se um produto com espectro para ferrugem, as lavouras não estão apresentando problemas com a doença até o momento. O pesquisador ressalta que a simples presença do fungo não indica que a doença possa ser agressiva na região, uma vez que o desenvolvimento depende das condições climáticas.
Lineu ressalta que a disseminação de estruturas do fungo ocorre facilmente com o vento, por isso é importante que os produtores das áreas vizinhas aos focos fiquem alertas fazendo o monitoramento das lavouras em busca de sintomas. O desenvolvimento da doença é favorecido por chuvas bem distribuídas ou presença de orvalho durante períodos superiores a seis horas e temperaturas amenas. As altas temperaturas e os períodos secos inibem o desenvolvimento da doença.
O pesquisador observa que o principal dano causado pela ferrugem da soja é a desfolha precoce da planta, que impede o ciclo completo da cultura e a completa formação dos grãos. Segundo ele, os sintomas iniciais são minúsculos pontos, inicialmente observados nas folhas localizadas nas partes baixas da planta. Na face inferior das folhas, os sintomas podem ser observados na forma de saliências de coloração castanho-clara a castanho-escura, que correspondem a estruturas de frutificação do fungo.
Lineu completa que como a ferrugem causa a desfolha precoce da planta, é importante controlar a doença protegendo a fase de enchimento do grãos. Se a ferrugem atingir a planta na fase de florescimento, os danos poderão ser maiores porque a doença reduz a capacidade de fotossíntese, tanto pela formação de lesões como pelo amarelecimento e queda prematura das folhas impedindo a completa formação dos grãos.
O pesquisador alerta que testes mostraram que os fungicidas do grupo dos triazóis e das estrobilurinas, são eficientes no controle da ferrugem. Ele lembrou da importância da rotação de culturas para evitar o risco da contaminação pela ferrugem. ''Nosso objetivo é desenvolver variedades que sejam resistentes à ação do fungo e que não aumentem o custo de produção'', conclui.