O objetivo da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), é chegar a um animal produtivo, de carne macia, adaptado às condições tropicais, de boa carcaça, alto desempenho em produção de carne e indicado para cruzamento com raças zebuínas.
O programa de grupamento genético envolve somente raças européias, o que o chefe adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa, Kepler Euclides Filho, acredita que seja inédito no Brasil. Outros experimentos de bovinos compostos têm sido feitos a partir do cruzamento entre animais de origem européia e indiana, e não somente com bovinos europeus, como é o caso do trabalho em Campo Grande.
Outras raçasBovinos da raça caracu estão sendo usados como base do programa, para início do cruzamento com outras raças européias. Outro bovino, o romasinuano, uma raça da América Latina, européia-adaptada, segundo Kepler Euclides, de origem espanhola e portuguesa, semelhante ao caracu, também está nos cruzamentos.
As raças belmont red (australiana) e a americana senepol, também estão no trabalho de cruzamento com o caracu. Várias raças serão utilizadas ao longo do projeto, que tem um tempo de duração entre 10 e 12 anos, como a tuli, raça africana; o red angus e a devon, européias; o senangus, cruzamento de senepol e angus, entre outras.
Seleção genéticaA partir dos nascimentos dos primeiros cruzamentos entre os bovinos europeus, há possibilidade de descartar ou incluir outros animais. Avaliações paralelas serão feitas, levando em consideração idade de puberdade, resistência a carrapato, reprodução, além dos itens de precocidade em ganho de peso e carcaça bem terminada com produção de carne de qualidade.
O trabalho para desenvolver o composto tem parcerias da Embrapa de São Carlos, em São Paulo; Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP), Instituto de Zootecnia de São Paulo; Associação Brasileira de Criadores de Caracu, de Palmas (PR); Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (SP), centrais de inseminação e criadores.
Estão sendo utilizadas 160 fêmeas caracu, que iniciaram sua primeira estação de monta no final do ano passado. ‘‘Daqui a um ano será possível avaliar melhor todo o projeto, além de ampliar o número de animais incluídos no programa’’, garante Euclides.
Cruza terminalSegundo o pesquisador, a Embrapa está desenvolvendo outro projeto com a raça caracu, envolvendo as raças nelore e red angus para obter cruzamentos terminais. ‘‘Não se busca formação de nova raça, mas resultados no cruzamento’’.
Este novo projeto, garante o pesquisador da Embrapa, tem objetivo de produzir ‘‘animais resistentes, adaptados, com 75% de sangue caracu e nelore e 50% de sangue europeu (que já está no caracu), além do red angus.’’
Outro objetivo, segundo Kepler Euclides, é conseguir animais de boa carcaça, carne macia e, acima de tudo, precoces em acabamento e reprodução. Os resultados ainda são preliminares, mas o pesquisador acredita no potencial das raças utilizadas.
Raça adaptadaDe acordo com informações da Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC), a raça é bem adaptada ao clima tropical, ‘‘suportando condições climáticas adversas do calor do Norte/Nordeste, passando pelo Pantanal, no Mato Grsso, o Brasil Central, até o frio no Sul do País.’’
A raça está no Brasil há aproximadamente 500 anos. Ela veio com os primeiros portugueses e passou por uma seleção natural. A ABCC tem sede em Palmas (PR) e possui 143 associados, com uma população de animais registrados da ordem de 60 mil cabeças. Em 1998 foram efetuados 7300 registros.

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