A Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), inaugurou este mês um laboratório de diagnóstico de doenças em animais para atender a demanda por esse serviço nos Estados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil.
A curto prazo, segundo o pesquisador Pedro Paulo Pires, o serviço poderá atender também outros Estados. Até então, segundo ele, no caso de diagnósticos de algumas doenças, os principais laboratórios existentes no Brasil estavam concentrados nas regiões Sul e Sudeste, limitando os atendimentos.
Muitas vezes, segundo o pesquisador, o tempo entre coleta de material e transporte para um laboratório em outro Estado era tão grande, que dificultava a análise, até pela deterioração do material coletado.
Incremento da produção No Brasil, a estimativa de perdas por doenças, só em bovinos, de acordo com o pesquisador, é de aproximadamente 4%. O diagnóstico laboratorial de doenças, além reduzir este índice de perdas, pode colaborar para prevenção e incremento da produção animal.
No laboratório da Embrapa os exames laboratoriais especializados serão destinados à avaliação sanitária nas atividades de avicultura, ovinocultura, suinocultura e bovinocultura.
Entre as doenças que poderão ser avaliadas, encontram-se a peste suína clássica, a síndrome reprodutiva e respiratória de suínos, a anemia infecciosa das galinhas (CAV), a bronquite infecciosa viral, a encefalopatia aviária, a leucemia felina ou imunodeficiência felina, a IBR (rinotraqueíte infecciosa bovina), a BVD (diarréia viral bovina), a leucose bovina, a febre aftosa e a vaca louca (BSE).
No caso da vaca louca, o trabalho será desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que possui um dos três únicos laboratórios brasileiros, até então, credenciados para diagnóstico de vaca louca.
Os outros laboratórios estão no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. De acordo com o pesquisador Pedro Paulo, o exame de BSE consiste em análise do tecido cerebral do bovino doente (técnica de histopatologia).
Para a febre aftosa, o diagnóstico pode ser feito, ainda, em laboratório credenciado de Recife (PE), que recebe parte dos exames do rebanho de corte sul-mato-grossense, estimado em 25 milhões de cabeça de gado.
Segurança no diagnóstico Segundo Pedro Paulo, os serviços do laboratório servirão de apoio ao trabalho de campo do veterinário. A partir do ‘‘respaldo laboratorial’’ o veterinário poderá tomar providências para assegurar a saúde do rebanho não só da propriedade onde existe o problema, mas também de toda uma região. ‘‘O serviço será ágil, para garantir que o problema não se alastre,’’ garante.
‘‘A idéia desse projeto é garantir o apoio a todos os segmentos da pecuária, inclusive, ao pequeno produtor, que, na maioria das vezes, não dispõe de recursos para pagar assistência técnica capacitada ou para o diagnóstico em laboratórios particulares.’’
A Embrapa, segundo Pedro Paulo, por ser vinculada ao Ministério da Agricultura, instituição pública, cobrará apenas os custos do exame laboratorial. Para que isso aconteça espera-se que órgãos de assistência técnica oficial e secretarias de agricultura possam também viabilizar a participação dos pequenos produtores.
Prestação de serviços Segundo o pesquisador, até agora, os laboratórios da área de sanidade animal da Embrapa Gado de Corte sempre realizaram diagnóstico de doenças animais, mas em seu próprio rebanho e para se municiar de informações de suas pesquisas.
Com a inauguração do laboratório em Campo Grande foram assinadas também duas cartas de intenção para contrato de prestação de serviços: uma com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária e Ambiental (Fundapam) e outra com o laboratório argentino de produtos farmacêuticos e veterinários, Biogenesis do Brasil, que tem sede em Curitiba.
Para iniciar o funcionamento do laboratório a Embrapa recebeu a doação de uma máquina leitora do teste Elisa e dez ‘‘kits’’ de diagnóstico do HLS Veterinary Biological Products Inc., de Hillsdale, dos Estados Unidos, avaliados em R$ 30 mil.

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