A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Paranaense (Unipar) de Umuarama, no Noroeste do Estado, vão criar um banco internacional de dados na área de farmacologia veterinária. O Serviço de Informações e Tomada de Decisões sobre Drogas Veterinárias (Sidvet) deve ficar pronto dentro de um ano e promete ser um dos bancos de dados veterinários mais completos do mundo.
Além de informações completas sobre as drogas utilizadas em animais produzidos para consumo humano, terá um programa de simulação para auxiliar os profissionais a resolver casos concretos, tudo com acesso via Internet. O programa de simulação é inédito na área e será lançado dentro de dois anos simultaneamente ao da Universidade de Yowa (EUA) .
Antibióticos Segundo o diretor do Instituto Superior de Ciências Agrárias, Biológicas e Geociências da Unipar, Marcelo Beltrão Molento, o projeto está dividido em duas etapas. Na primeira, será montado um banco de dados nos mesmos padrões do instituto norte-americano United States Pharmacopéia (USP). A segunda etapa, que envolve o programa de simulação para ajudar na tomada de decisões, deve ficar pronta em dois anos. O programa segue os padrões de um projeto semelhante em implantação na Universidade de Yowa.
De início, será montado um banco de dados sobre antibióticos, por ser o medicamento mais utilizado na produção de carne, leite e ovos. ‘‘Em seguida incluiremos informações sobre vacinas e drogas antiparasitárias’’, informa Molento.
No Brasil, algumas empresas e universidades têm banco de dados sobre medicamentos veterinários, porém todos incompletos e imprecisos. ‘‘Não há informações sobre qualidade, frequência de uso, tipos, efeitos, finalidade e contra-indicações, o que dificulta uma análise da situação atual’’, diz Molento.
O agrupamento dos dados permitirá seu uso para formação de opiniões, leis e regulamentações na área, além de facilitar a consulta por parte de outros países.
Controle sobre os alimentosDe acordo com o professor da Unipar, a globalização da economia exigirá um controle cada vez maior sobre a produção de alimentos. A farmacologia veterinária é uma das áreas de maior interesse para a Organização Mundial de Comércio (OMC), devido ao uso abusivo de antibióticos e outras drogas na produção animal.
A Emprapa quer investir na área, criando um centro de geração e fornecimento de informações técnicas para aumentar a participação do Brasil na OMC. O trabalho está sendo organizado pela pesquisadora Terezinha Padilha, do Laboratório Virtual da Embrapa (Labex) em Washington (EUA) e pela Unipar, em parceria com a US Pharmacopéia e a Universidade de Yowa. O professor Molento, pós-graduado em Farmacologia, vai coordenar o Sidvet.
O programa de análise de riscos que está sendo desenvolvido pela Universidade de Yowa utilizará um programa de simulação para ajudar os profissionais a decidirem qual ou quais os medicamentos e procedimentos mais adequados que podem adotar, levando em consideração o controle da doença, qualidade, produtividade, segurança alimentar humana e as leis e normas sanitárias do mercado ao qual se destina a produção.O Sidvet também terá uma rede nacional e uma internacional de consultores para orientar o uso de medicamentos.
Em busca de patrocínio O projeto foi apresentado no início de abril no Simpósio Internacional de Resistência Bacteriana aos Antibióticos no Rio de Janeiro. A Embrapa e a Unipar estão em busca de patrocinadores junto à iniciativa privada para financiar a aquisição de equipamentos e programas de informática, treinamento de pessoal e coleta de informações para montar o banco de dados e o site do Sidvet.

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