A bió­lo­ga Arail­de Fon­tes Ur­ben, pes­qui­sa­do­ra do se­tor de Re­cur­sos Ge­né­ti­cos e Bio­tec­no­lo­gia da Em­pre­sa Bra­si­lei­ra de Pes­qui­sa em Agro­pe­cuá­ria (Em­bra­pa), uni­da­de lo­ca­li­za­da em Bra­sí­lia, con­ta que a pro­du­ção de co­gu­me­los te­ve iní­cio no Bra­sil nos ­anos 1950, a prin­cí­pio com imi­gran­tes ja­po­ne­ses, e de­pois, chi­ne­ses. Se­gun­do a pes­qui­sa­do­ra, a ati­vi­da­de par­tiu de mu­ni­cí­pios pau­lis­tas, Ati­baia e Mo­gi das Cru­zes prin­ci­pal­men­te, e a pro­du­ção co­mer­cial se acen­tuou a par­tir da dé­ca­da de 1960.
  Arail­de re­la­ta que, em­bo­ra exis­ta uma pre­va­lên­cia do cha­ma­do cham­pig­non de Pa­ris na pro­du­ção bra­si­lei­ra, a exem­plo do que ocor­re em to­do o mun­do, o ­País tam­bém tem adep­tos de ou­tras es­pé­cies, co­mo shi­me­ji, shii­ta­ke, co­gu­me­lo do sol, e, em me­nor es­ca­la, o sal­mon, o hi­ra­ta­ke e o co­gu­me­lo rei.
  A pes­qui­sa­do­ra apon­ta que, em­bo­ra con­di­ções cli­má­ti­cas pos­sam fa­ci­li­tar o de­sen­vol­vi­men­to de de­ter­mi­na­das es­pé­cies, a pro­du­ção é ge­ral­men­te ba­sea­da em es­tru­tu­ras de am­bien­tes fe­cha­dos, com lu­mi­no­si­da­de e tem­pe­ra­tu­ra con­tro­la­das. ‘‘Com es­se ti­po de es­tru­tu­ra, é pos­sí­vel pro­du­zir até mes­mo em re­giões ­áridas’’, re­la­ta Arail­de.
  Ela ex­pli­ca que os co­gu­me­los co­mes­tí­veis pro­por­cio­nam mui­tos be­ne­fí­cios. ‘‘O cham­pig­non de Pa­ris, por exem­plo, tem ­mais pro­teí­nas que a car­ne bo­vi­na. Já o shii­ta­ke, o co­gu­me­lo rei e o co­gu­me­lo do sol têm pro­prie­da­des me­di­ci­nais ele­va­das, ­pois ati­vam cé­lu­las de de­fe­sa do ­organismo’’, diz a pes­qui­sa­do­ra.
  Arail­de Ur­ben vem di­fun­din­do no ­País, des­de 1995, a téc­ni­ca Jun-Cao de pro­du­ção de co­gu­me­los, tra­zi­da da Chi­na e adap­ta­da pa­ra o Bra­sil. De acor­do com a bió­lo­ga, a tec­no­lo­gia uti­li­za subs­tra­tos de gra­mí­neas, ao in­vés dos tron­cos de ár­vo­re e ser­ra­gem que são usa­dos nos ­meios de cul­ti­vo tra­di­cio­nais.
  A pes­qui­sa­do­ra ar­gu­men­ta que es­sa téc­ni­ca ba­ra­teia a pro­du­ção e dá re­sul­ta­dos ­mais rá­pi­dos, ­além de ser ­mais cor­re­ta eco­lo­gi­ca­men­te. ‘‘É um mé­to­do que já es­tá bem di­vul­ga­do em to­do o Bra­sil. O cur­so pa­ra en­si­nar a téc­ni­ca que es­ta­mos fa­zen­do nes­te mês, ­aqui em Bra­sí­lia, é o 41º em um pe­río­do de 13 ­anos’’, apon­ta Arail­de.
  Ela acre­di­ta que a dis­se­mi­na­ção do Jun-Cao po­de aju­dar a au­men­tar a pro­du­ção bra­si­lei­ra de co­gu­me­los, cu­jo con­su­mo no ­País ain­da es­tá bem ­aquém da mé­dia dos eu­ro­peus. (F.G.)

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