Embrapa desenvolve cultivar brasileira de morango
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sábado, 29 de junho de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

O Brasil importa por ano em torno de 100 milhões de mudas de morango, principalmente do Chile. Uma curiosidade é que os viveiros de lá, na verdade, estão produzindo plantas que têm origem genética e desenvolvimento na Califórnia, nos Estados Unidos, e as empresas chilenas trabalham com as licenças desses materiais. Portanto, vale dizer que não recebemos o melhor material genético do mundo nas propriedades aqui do Paraná e outros estados.
No século passado – entre as décadas de 1960 e 1970 – o País chegou a ter variedades próprias, desenvolvidas aqui, mas que ao longo dos anos foram perdendo espaço. Agora, a Embrapa Clima Temperado, localizada em Pelotas (RS), há cerca de oito anos trabalha no melhoramento genético do morango. A ideia é que em médio prazo – em torno de três a quatro anos – seja lançada uma variedade brasileira com produção de mudas aqui.
O pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Luis Eduardo Correa Antunes, explica que as mudas que chegam no Brasil – no caso do Paraná -, de dias neutros (produção ano todo), têm diversas qualidades que auxiliam na produção em ambiente protegido e canteiros elevados. “Mas também existem alguns defeitos: elas deixam a desejar no sabor e também na tolerância a doenças. Para a cultivar que estamos desenvolvendo, várias seleções estão sendo avaliadas. Um ponto importante é que essas mudas precisam ser produzidas no Brasil. Não adianta licenciar um viveiro na Patagônia e depois enviar essas mudas para cá (com outras características de cultivo).”
Antunes relata que o Rio Grande do Sul, há cerca de 15 anos, também vem mudando a produção para ambientes protegidos e canteiros elevados com as mudas em slabs. O maior desafio em relação ao sistema de produção, como os próprios produtores relataram para a FOLHA, está no manejo de nutrição das plantas. “O depósito da solução nutritiva está ligado à caixa d'água. Uma condutividade elétrica equivocada (que mede os sais) pode queimar as plantas e, no caso do ph, a absorção da nutrição.”
Para essa questão especificamente, o pesquisador relata que já há sistemas inteligentes automatizados de fertirrigação, por meio de timers. “Toda essa tecnologia vem barateando. Mas as vezes o produtor olha um vídeo no Youtube e acha que será simples. Aí para fazer o manejo acaba não escolhendo um substrato bom, ou às vezes tem uma água com ph alto na propriedade e isso acaba atrapalhando a produção. Por isso o acompanhamento técnico de um profissional é tão importante.”
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