Genebra - Mandioca, arroz e, em breve, até etanol. A Embrapa começa a ter os primeiros resultados de sua experiência na África e já prevê até mesmo exportações a partir de suas iniciativas no continente para a Europa. Esta semana, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e o Banco Mundial (Bird) publicaram um novo estudo que revela que a savana africana tem o potencial de se transformar no novo ''Cerrado'', modificando a geografia mundial da produção de commodities nos próximos anos.
O representante regional da Embrapa para África, Cláudio Bragantini, é um dos que concorda com a análise da FAO. ''A região tem um potencial enorme e conta com condições muito parecidas ao do Cerrado em termos de suas terras'', afirmou o chefe do escritório da instituição em Acra, capital de Gana. Na próxima semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o convidado de honra da cúpula da União Africana, que ocorre na Líbia. O tema agrícola estará na agenda.
Na avaliação da FAO, a savana africana cobre 25 países e teria a capacidade de ser um novo centro de produções de grãos e alimentos no mundo, inclusive mais produtivo que o Cerrado brasileiro. Hoje, apenas 10% da terra africana está sendo utilizada da área de cerca de 400 milhões de hectares que vai do Senegal à África do Sul.
Segundo Bragantini, a experiência está sendo exatamente a de incrementar a produção de pequenos agricultores. No Oeste Africano, empresas estão já fechando acordos com produtores locais no comércio da mandioca e até a produção de farinha e outros derivados. Ele garante que o Brasil também ganha com esses projetos. ''Estamos vendendo nossa tecnologia e nossas máquinas. A idéia da cooperação também traz novos mercados para uma área importante da agricultura nacional'', disse.
Bragantini aponta que também existem projetos de grande escala, como é o caso da construção de usinas de etanol. Parte do investimento feito por empresas privadas brasileiras está sendo financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No ano passado, o BNDES fechou o financiamento para um projeto entre Brasil e Gana para a exportações do biocombustível para a Suécia, país europeu que hoje mais consome o etanol e que está comprometido em expandir o uso do novo combustível até 2020. Outros cinco países africanos também serão alvo da diplomacia do etanol do Brasil.
Pobreza
Apesar da potencialidade, a África ainda não conseguiu superar os problemas da fome e da pobreza. A FAO anunciou na semana passada que, pela primeira vez, o número de famintos passará a marca de 1 bilhão de pessoas em 2009. E a culpa não será da falta de alimentos produzidos, mas sim do acesso a eles.
No caso da África, a situação é um espelho dessa realidade. O continente conta com terras e interesse estrangeiro. Mas, segundo a FAO, o perigo é de que esses novos projetos árabes e chineses acabem se transformando em uma nova onda de ''colonialismo''.

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