Presidentes de instituições estaduais de pesquisas agropecuárias discutiram esta semana, em Londrina, a escassez de recursos para o setor. Eles romperam o silêncio e resolveram questionar a distribuição de verbas, em sua maior parte abocanhadas pela Embrapa. Foi durante reunião do Conselho Nacional das Entidades Estatuais de Pesquisa Agropecuária (Consepa) com a presença de representantes de institutos e universidades de 16 Estados.
O presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Dionísio Bressan Lemos, foi o mais firme. ‘‘O sistema de pesquisa agropecuária, que tinha a Embrapa como grande coordenadora, acabou direcionando todos os recursos para a própria Embrapa, deixando órfãos os institutos estaduais’’ - afirmou
A Embrapa, segundo Lemos, pela sua estrutura nacional e por fazer um marketing muito forte, consegue ter mais ‘‘visibilidade’’ na mídia do que as organizações estaduais. No entanto, na prática, os resultados para a agricultura não acontecem na mesma proporção. A Embrapa está voltada para pesquisa em produtos comerciais - de improtância nacional - mas não atua tão bem - quanto as instituições estaduais - nos projetos de desvenvolvimento locais, explicou.
Questão política - Perguntado sobr as razões que não sobram recursos para as instituições dos estados, Lemos explicou que a decisão sobre o destino dos recursos é dos congressistas de todo o País e que as organizações de pesquisas estaduais ‘‘trabalham’’ só os congresistas dos respectivos estados. Como nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, as instituições de pesquisa têm atuação mais modesta - e aqueles Estados dependem mais da tecnologia da Embrapa -, as representações políticas acabam creditando mais recursos para a Embrapa. Além disso, há mais congressistas oriundos de Estados poucos assistidos pela pesquisa estadual. Então eles ‘‘fecham’’ com a Embrapa. O maior número de deputados e senadores dos Estados do Norte e Nordeste é que distorce a justa distribuição de recursos.
Ao final de dois dias de discussão, os membros do Consepa aprovaram a elaboração de um documento em que defendem a essencialidade da pesquisa dos Estados, voltadas basicamente para questões pontuais e demandas locais e regionais. As pesquisas do agronegócio em âmbito nacional seria, segundo proposta do documento, da esfera da Embrapa.

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