Embarques de madeira perdem apenas para soja
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sexta-feira, 02 de junho de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Estimular a adoção do componente florestal no agronegócio, visando agregar valor ambiental e econômico às pequenas propriedades rurais, é o objetivo de um projeto de adequação ambiental de sistemas de produção da agricultura familiar que a Embrapa Florestas, de Colombo, tem desenvolvido no Paraná. O trabalho também tem como meta atender a legislação ambiental, configurada principalmente em Área de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL), que prevê a destinação de 20% da propriedade para matas de espécies nativas.
Segundo o pesquisador Vanderley Porfírio-da-Silva, da Embrapa Florestas, o programa prevê, dentro de uma perspectiva de desenvolvimento rural sustentável, a integração dos componentes pecuário, agrícola e florestal para que contemplem a diminuição dos impactos ambientais, dêem garantias de biodiversidade, uso conservacionista do solo, além da produção e conservação da água.
No Paraná, a sustentabilidade da criação de animais de grande porte, presente em 93% das propriedades rurais, está ameaçada pelos sistemas de produção baseados num reduzido número de forrageiras e em monocultivos que trazem em si a degradação.
''A integração de pastagens com árvores evita a degradação dos pastos devido ao potencial de controle de erosão que algumas espécies arbóreas possuem, além de contribuir para a manutenção da fertilidade do solo, produção de água, sequestro de carbono e melhoria de microclima'', aponta Silva.
Atualmente, o projeto realizado em parceria com a Embrapa Soja, de Londrina, Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) conta com 40 unidades de referência tecnológica (URTs), implantadas em diferentes propriedades paranaenses. ''Estas unidades são utilizadas pela extensão rural para a difusão tecnológica e realimentação de pesquisas'', informa o pesquisador.
Segundo ele, os resultados do projeto têm sido apresentados em tempo real aos produtores, que vão receber acompanhamento até o final da pesquisa, a qual teve início em agosto de 2004 e deve terminar em meados do próximo ano. ''É importante reforçar que essa tecnologia disponibilizada pela Embrapa não substitui a necessidade da averbação da reserva legal, como prevê a portaria 157 do IAP, de outubro de 2005'', diz Silva. De acordo com ele, a maderia só poderá ser explorada comercialmente se a área destinada à preservação permanente superar os 20% previstos por lei.


