Emater começa a instalar coletores para detectar ferrugem asiática

Economia com detecção de esporos é de cerca de 35%; previsão é que sejam instalados 250 a 300 coletores em todo o Estado

Mie Francine Chiba - Grupo Folha
Mie Francine Chiba - Grupo Folha

Coletor de esporo de fungo causador da ferrugem asiática é instalado em fazenda de Ibiporã
Coletor de esporo de fungo causador da ferrugem asiática é instalado em fazenda de Ibiporã | Gustavo Carneiro
 

 


A estiagem que castiga a agricultura preocupa produtores de soja, que estão fazendo  de tudo para reduzir custos antes mesmo da colheita. Com base em dados da última safra, espera-se que sejam produzidos entre 1 milhão e 1,1 milhão de toneladas de soja na região de Londrina, em uma área de plantio de cerca de 321 mil hectares em 19 municípios que compõem a regional da Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural).


A economia na produção de soja é buscada inclusive na aplicação de insumos, que estão mais caros com a alta do dólar. A aplicação de fungicida nas plantações costuma ser feita três a quatro vezes para prevenir doenças como a ferrugem asiática. 




Desde 2016, o Alerta Ferrugem, desenvolvido pelo Emater, realiza o monitoramento da ferrugem asiática em todo o Estado. O sistema é formado por coletores de esporos do fungo causador da doença (Phakopsora pachyrhizi), que são instalados em propriedades rurais em todo o Paraná.


Esse ano, os coletores já começam a ser novamente instalados em propriedades consideradas unidades de referência. Os equipamentos costumam ser instalados no início do plantio da soja, e permanecem na lavoura até quando não há mais risco de as plantações serem acometidas pela ferrugem, após o enchimento dos grãos.


No ano passado, foram instalados 252 coletores em regiões produtoras de soja em todo o Paraná. Este ano, a expectativa é que mais sejam instalados no Estado, podendo chegar a 300.

Equipamento é feito com uma estrutura de cano de PVC que possui uma lâmina microscópica no interior
Equipamento é feito com uma estrutura de cano de PVC que possui uma lâmina microscópica no interior | Gustavo Carneiro
 


O coletor é uma estrutura feita de cano de PVC que se movimenta com o vento e possui uma lâmina microscópica no interior. Foi idealizado pelo engenheiro agrônomo Seiji Igarashi, professor aposentado da Universidade Estadual de Londrina (UEL).


A estrutura de baixo custo - cerca de R$ 200 reais - é colocada sobre uma haste de metal fincada no solo. Os esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi, que são transportados com o vento, ficam presos a uma fita adesiva dupla face fixada na lâmina e, pelo menos uma vez por semana, os extensionistas do Emater retiram esse material e o enviam para análise, que fica pronta em 40 minutos a uma hora. No dia seguinte, os produtores já ficam sabendo se há esporos do fungo da ferrugem asiática circulando na região.

 



 Ao tomarem conhecimento do risco da ferrugem asiática no ambiente, os produtores conseguem aplicar o fungicida pontualmente, apenas nas situações consideradas propícias à proliferação da doença, gerando uma economia de cerca de 35%. "Temos produtores que fizeram uma ou nenhuma aplicação de fungicida e não colheram menos por causa disso", conta Renan Barizon, engenheiro agrônomo e extensionista do Emater.


Mas a detecção dos esporos nos coletores precisa estar associada outros dois fatores para que o Emater oriente os produtores a procederem com o manejo de combate à ferrugem asiática. O primeiro deles é a planta estar em uma fase suscetível ao patógeno, geralmente no florescimento da soja. O segundo é o ambiente favorável para o germinamento do esporo na planta, com a presença de água líquida na superfície da folha por pelo menos seis horas (molhamento) e temperatura favorável, de cerca de 25°C. "Tendo essas condições, a chance de a doença ocorrer é muito grande. Neste momento, nós indicamos realizar o controle químico através do uso do fungicida", diz Barizon.


Segundo o extensionista, como os coletores ainda estão sendo instalados, ainda não foram identificados esporos na região. 


Produtor reduziu em 33% aplicação de fungicida

O vazio sanitário da soja se encerrou no dia 10 de setembro. Mas com a estiagem, os produtores estão adiando o plantio. Na propriedade de Diógenes Casagrande, em Ibiporã, o plantio costuma começar no dia 5 de outubro. Com a falta de chuvas, entretanto, o processo poderá atrasar. "Nossa pretensão é que até 15 de outubro já tenhamos efetuado o plantio", diz o produtor. Quanto mais tarde o início do plantio, maiores os riscos de proliferação de ferrugem asiática, através de esporos vindos de outras propriedades que já começaram a plantar a soja. 




No ano passado, Casagrande já conseguiu reduzir a aplicação de fungicida de três para duas vezes com o uso da informação proporcionada pelos coletores de esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi. "A ferrugem surgiu e o conhecimento era muito pequeno. Existia naquela época e até um tempo atrás aquela programação de aplicação de fungicida", conta o agricultor. "Este é o segundo ano que o Emater está coletando na nossa propriedade. No ano passado já procuramos seguir a orientação do técnico. Dois anos atrás tínhamos feito três aplicações de fungicida, ano passado foram duas. Nossa pretensão é que o coletor sirva para que a gente economize sempre."

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