‘‘A maior razão do cooperativismo ainda é apoiar pequenos e médios produtores.’’ A opinião é do técnico da área de Organização Rural da Emater-PR, da Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento, Silvio Tedéo. Hoje, segundo ele, a Emater auxilia 28 novos processos para formação de cooperativas agropecuárias, de consumo, de transformação de produtos e trabalho em todo o Paraná. Normalmente atende a associações de produtores que desejam transformar-se em cooperativas. A maioria dessas novas cooperativas, completa o coordenador da área de Organização da Emater, Carlos Rodolfo Vasconcelos Kruger, reúne pequenos produtores, com áreas abaixo de 10 hectares cada. As cooperativas de trabalho são formadas por pessoas, normalmente de origem rural, que hoje estão vivendo nas periferias das cidades.
O objetivo, segundo Kruger, é gerar empregos e aumento de renda para uma população mais carente. Neste trabalho há o apoio da Secretaria Estadual de Trabalho e prefeituras dos municípios onde o problema existe.
Novas cooperativas Os processos orientados pela Emater para a formação de novas cooperativas
englobam atividades como produção de siri, transformação de suínos e do milho em subprodutos, venda de insumos, industrialização de açúcar mascavo, produção e comércio de feijão, entre outros.
Tedéo e Kruger acreditam que há uma tendência de formação de cooperativas, cada vez mais localizadas, para atender pequenos produtores. ‘‘Para uns é questão de oportunidade de geração de renda. Para outros a sobrevivência na atividade,’’ avalia Kruger.
O volume produzido por pequenos produtores não tem competitividade. Em conjunto, segundo os técnicos, é possível viabilizar renda em pequenas áreas e vender maior volume. A alternativade juntar-se a outros produtores representa não só volume mas maior poder de negociação.
Viabilizando uma região Um exemplo de formação de cooperativa que pode viabilizar toda uma região está acontecendo no Centro-Sul do Estado. Desde 1996, um grupo de 400 pequenos produtores de cinco municípios, com orientação da Emater e apoio das prefeituras, se organizou em associações. O objetivo é vender a produção leiteira em conjunto. Agora, parte dessas associações começa a funcionar como cooperativa. ‘‘Cada um negociando isoladamente não teria condições de evoluir’’, afirma Tedéo, da Emater. Segundo ele, a média de produção é de 50 a 80 litros de leite/dia por produtor. Alguns não ultrapassam os 30 litros/dia e não teriam condições de conseguir sozinhos um bom preço.
Para a venda em conjunto os produtores montaram a Central, ligada ao Projeto de Leite da Região de Guarapuava (Proleg). Todo mês de fevereiro é feito um tipo de concorrência para venda da produção total dos cinco municípios, hoje num total de25 mil litros de leite/dia. O contrato de venda é anual e os preços com base na média de empresas e cooperativas.
O agrupamento, segundo o agrônomo da Emater de Nova Laranjeiras (um dos municípios que participa do grupo), Marco Aurélio Viechnieski, possibilitou que pequenos produtores pudessem continuar na atividade e fazer investimentos para melhorar a qualidade do leite.
Melhor negociação ‘‘A região não tinha tradição na produção leiteira’’, conta um dos produtores, Miguel Freduczevski, ‘‘e as associações possibilitaram uma nova atividade.’’ Miguel, aliás, é candidato a presidente da Cooperativa de Nova Laranjeiras. A assembléia de formação da nova cooperativa será realizada no próximo dia 12.
‘‘Hoje a gente negocia com as indústrias como se fossemos cinco grandes produtores e o relacionamento é outro. A vantagem está na maior lucratividade,’’ diz Miguel. Segundo ele, antes da formação do pool de vendas, produtores recebiam a média de R$0,10/litro. Hoje recebem média de R$ 28.
Os outros municípios do grupo são Laranjeiras do Sul, Quedas do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu e Virmond. Destes, Laranjeiras do Sul e Rio Bonito transformaram associações em cooperativas. A cooperativa de Quedas do Iguaçu está na fase de registro e a de Virmond na discussão do estatuto.

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