Emater auxilia criação de cooperativas
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quarta-feira, 04 de julho de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
A maior razão do cooperativismo ainda é apoiar pequenos e médios produtores. A opinião é do técnico da área de Organização Rural da Emater-PR, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento, Silvio Tedéo. Hoje, segundo ele, a Emater auxilia 28 novos processos para formação de cooperativas agropecuárias, de consumo, de transformação de produtos e trabalho em todo o Paraná. A orientação começa com o estudo de viabilidade até a formação de uma cooperativa. Normalmente atende a associações de produtores que desejam transformar-se em cooperativas, mas também atua em outras áreas como a formação de cooperativas de trabalho.
No setor agropecuário, a maioria dessas novas cooperativas, completa o coordenador da área de Organização da Emater, Carlos Rodolfo Vasconcelos Kruger, reúne pequenos produtores, com áreas abaixo de 10 hectares cada. As cooperativas de trabalho são formadas por pessoas, normalmente de origem rural, que hoje estão vivendo nas periferias das cidades.
O objetivo, segundo Kruger, é gerar empregos e aumento de renda para uma população mais carente. Neste trabalho a Emater conta com o apoio da Secretaria Estadual de Trabalho e também das prefeituras dos municípios onde o problema existe.
Novas cooperativas Dos processos orientados pela Emater deverão nascer novas cooperativas em todo o Estado. Essas cooperativas englobam atividades como produção de siri, transformação de suínos e do milho em subprodutos, venda de insumos, industrialização de açúcar mascavo, produção e comércio de feijão, entre outros.
Tedéo e Kruger acreditam que há uma tendência de formação de novas cooperativas, cada vez mais localizadas, para atender os pequenos produtores, nos mais diferentes setores de produção. Para uns é questão de oportunidade de geração de renda. Para outros é questão de sobrevivência na atividade, avalia Kruger.
O volume produzido por pequenos produtores não tem competitividade. Em conjunto, segundo os técnicos, é possível viabilizar renda nessas pequenas áreas e vender maior volume de produção. Para os pequenos produtores uma alternativa tem sido a de ser juntar a outros e somar um volume considerável de produção para até mesmo facilitar o escoamento e o transporte desse produto até a indústria e ter, por fim, maior poder de barganha.
Viabilizando uma região Um exemplo de formação de cooperativa que pode viabilizar toda uma região está acontecendo no Centro-Sul do Paraná. Ali, desde 1996, um grupo de 400 pequenos produtores de cinco municípios, com orientação da Emater e apoio das prefeituras, se organizou em associações. O objetivo é vender a produção leiteira em conjunto. Agora, parte dessas associações está começando a funcionar como cooperativa.
Cada um negociando isoladamente não teria condições de evoluir, afirma Silvio Tedéo, da Emater. Segundo ele, cada produtor tira uma média de 50 a 80 litros de leite/dia. Alguns não ultrapassam os 30 litros/leite/dia e não teriam condições de conseguir isoladamente um bom preço.
Para a venda em conjunto esses produtores montaram uma Central Virtual de Integração que funciona ligada ao Projeto de Leite da Região de Guarapuava (Proleg). Todo mês de fevereiro é feito um tipo de concorrência para venda da produção total dos cinco municípios que hoje soma 25 mil litros de leite/dia. Eles fazem um contrato de venda anual, com preços baseados na média de empresas privadas e cooperativas do Paraná.
O agrupamento, segundo o agrônomo da Emater de Nova Laranjeiras (um dos municípios que participa do grupo), Marco Aurélio Viechnieski, possibilitou que pequenos produtores pudessem continuar na atividade e até fazer investimentos para melhorar a qualidade do produto.
Melhor negociação A região não tinha tradição na produção leiteira, conta um dos produtores, Miguel Freduczevski, e as associações possibilitaram uma nova atividade aos produtores da região. Miguel, aliás, é candidato de chapa única para a assembléia de formação da cooperativa de Nova Laranjeiras, que será realizada no próximo dia 12.
Hoje a gente negocia com as indústrias como se fossemos cinco grandes produtores e o relacionamento é outro. A vantagem está na maior lucratividade, admite o produtor. Segundo Miguel, antes da formação do pool de vendas, os produtores recebiam uma média de R$0,08 a R$0,10 pelo litro de leite. Hoje estão recebendo uma média de R$ 28,00.
Os outros municípios do grupo são Laranjeiras do Sul, Quedas do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu e Virmond. Destes, apenas Laranjeiras do Sul e Rio Bonito já transformaram suas associações de produtores em cooperativas. A cooperativa de Quedas do Iguaçu está na fase de registro e a de Virmond em discussão do estatuto para posterior fundação.
Hoje, para sobreviverem, os produtores, especialmente pequenos e médios, devem se organizar. Mas tudo tem que ser feito devagar, na medida certa, para não errar. Algumas cooperativas que fizeram altos investimentos acabaram não aguentando, explica Miguel. Segundo ele, as cooperativas, por enquanto, junto com as associações, vão manter os entrepostos de coleta do produto nos cinco municípios e vender a produção para indústrias transformadoras, sejam elas outras cooperativas ou empresas privadas.


