A conta é simples e dolorida para o produtor paranaense: em fevereiro, a tonelada de mandioca foi comercializada a R$ 187,84 no Estado, valor que não paga o custo operacional de produção, de R$ 237, conforme levantamento do Deral. Só como análise comparativa, o valor de comercialização em fevereiro de 2014 era de R$ 391,49 a tonelada, ou seja, uma retração de 108,4% em um ano.
Já de acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, os preços atuais equivalem a apenas um terço do que era praticado há um ano na média nacional. Mais do que isso: as projeções são pessimistas com preços despencando ainda mais, já que o pico de safra gira entre abril e maio.
Estudos do Cepea apontam que lavouras com alta produtividade e bom rendimento de amido ainda conseguem cobrir os custos operacionais de produção, mas sem nenhuma rentabilidade expressiva. A maioria dos produtores, no entanto, não tem obtido o suficiente para bancar nem os custos, especialmente quando a área é de arrendamento, seja em lavouras de um ou de dois ciclos. Com isso, muitos produtores têm optado por postergar a colheita e reduzir os tratos culturais.
Segundo o analista de mercado do Cepea, Fábio Felipe, como a tecnologia da cultura é de fácil acesso, muitos se aventuraram no plantio de mandioca nos últimos anos. "No período de preços favoráveis em anos anteriores, houve um boom muito grande de produção, o que culminou na situação atual. O fim da dependência do Nordeste em relação ao Centro-Sul também teve papel significativo no cenário vivido hoje". O analista explica ainda que os custos de produção são bastante elevados principalmente porque a colheita não é mecanizada, ou seja, necessita de mão de obra.
Por outro lado, nem a demanda excedente faz com que as indústrias de fécula e farinha busquem matéria-prima com maior intensidade, já que a economia começou o ano em ritmo morno. "As indústrias estão trabalhando de forma bastante reduzida, já que o consumo desse tipo de produto é menor pelos consumidores finais", relata Felipe. Para o segundo semestre, o analista projeta que o plantio caia drasticamente. "O produtor não tem capital para plantar este ano, principalmente no Paraná. Aos poucos, a oferta e demanda devem alinhar novamente".
Nos mercados de fécula e farinha de mandioca, a liquidez tem aumentado desde o final de janeiro, mas com a produção seguidamente elevada, os estoques ainda são considerados altos. O preço médio da fécula em janeiro caiu 5% em relação ao de dezembro, a R$ 1.269,44/t. Na comparação com janeiro de 2014, a desvalorização é de 56%. A farinha de mandioca fina branca crua tipo 1 teve preço médio de R$ 51,60/sc de 50 kg em janeiro, baixa de 54% em 12 meses. (V.L.)

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