Em um ano, preço do feijão recuou quase 50%
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Poucos produtos são alvo de tanta especulação. O feijão, pela sua sazonalidade e difícil produção (é muito sensível ao clima e doenças) torna-se alvo de manipulação do mercado atacadista.
Presente todos os dias na mesa da maioria brasileiros, a tendência é que fique mais acessível à medida que as quedas nos preços praticados pelos atacadistas chegam ao varejo. A produção está concentrada na região sul, mas outros estados mantêm lavouras e as colheitas podem garantir a oferta. Este fato vai amenizar os reflexos negativos da estiagem que assolou um dos estados que mais produzem o grão.
De acordo com as cotações, o mês de fevereiro vem registrando uma redução de 17% em relação aos valores de janeiro deste ano. Se comparados ao mesmo período de 2008, os preços despencaram quase pela metade, representando uma redução de cerca de 47,5% segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab).
Segundo Margorete de Marchi, engenheira agrônoma do Deral, existe uma perspectiva de que a queda de 42% na produção paranaense não afete os preços de mercado. ''É por causa do escoamento de outros Estados que segura a demanda'', pontua. No Paraná, o impacto da estiagem reduziu de 609 mil para 353 mil toneladas, mesmo com um aumento de 26% na área de lavoura plantada em 2009.
A produção brasileira total é estimada em 3,59 milhões de t, contabilizado o impacto da estiagem. Levando em conta apenas a primeira safra - plantada no período agosto/novembro e colhida nos primeiros meses do ano - são esperadas 1,38 milhão de t. Por isso, acredita-se que o setor ainda cresça 11% com relação à 2008, quando foram colhidas 1,24 milhão de t de feijão.
A participação do Paraná é de 19% do total e a estimativa é de que a segunda e terceira safras recuperem o prejuízo da estiagem. Em volume, isso pode representar cerca de 700 mil toneladas, caso não haja mais contratempos. ''Mesmo o impacto negativo da primeira colheita não tirou a produção paranaense do primeiro lugar no ranking'', diz Margorete.
Por sua vez, a produção do feijão preto caiu, mas mantém uma variação estável. O preço da saca neste mês é de R$ 110,00 e sofreu uma redução de 16,04% em relação a janeiro. Entre os meses de fevereiro deste ano e o mesmo período de 2008 a variação foi quase imperceptível - saiu de R$ 111,57 e chegou em R$ 110,00, porém atingiu picos no mês de outubro quando estava cotada à R$ 158,37.
Janela:
PRODUTO INSTÁVEL
O feijão é cultura de risco. Motivos:
- Falha-lhe uma política de abastecimento,
- É muito sensível ao clima e doenças,
- Não há assistência técnica no campo,
- O comércio atacadista de feijão é muito especulativo


