A saca de café beneficiado sofreu acréscimo de 63,5% no Paraná, em comparação a fevereiro de 2010, passando em média de R$ 225,89 para R$ 369,28. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento (Seab). Em relação a janeiro, quando o produto era comercializado a R$ 323,58, houve um aumento de 14,1%.
O aumento do preço no Estado acompanha a elevação da média nacional do produto. De acordo com o boletim ''Custos e Preços'', divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em fevereiro as cotações ficaram, em média, 65% acima dos valores praticados no mesmo período de 2010. Em fevereiro de 2010, a média nacional era de R$ 246 e passou para R$ 406,57.
Se considerada a média do ano passado, os preços de fevereiro de 2011 são 39% superiores. Em relação a janeiro deste ano, quando a saca custava, em média, R$ 365,90, houve um acréscimo de 11,12%. Conforme análise da Superintendência Técnica da CNA, a alta de preços é justificada pela forte demanda mundial por café, reflexo, do maior consumo durante o período de inverno no Hemisfério Norte e da reduzida oferta mundial do produto, fatores que têm incentivado as exportações do Brasil.
De acordo com o corretor de café Marcos Aurelio Bacceti, essa valorização do grão foi causada pelo crescimento significativo do consumo local, nacional e mundial de café. Segundo ele, a estabilização do volume produzido também contribuiu para o aumento dos preços. ''A produção não acompanha o ritmo acelerado de consumo. Assim, estamos usando os estoques reguladores, que não são repostos diante da alta demanda'', analisa.
Bacceti argumenta que esse cenário de procura maior do que a oferta foi causado por anos de preços ruins, o que levou muitos produtores a trocarem o café por outras culturas. ''Essa valoriação era necessária para manter a produção, porque muitos produtores estavam abandonando o café'', salienta.
A perspectiva da CNA é de que os preços do café se mantenham nos níveis atuais, com tendência de elevação. ''Esse é um momento muito bom para o mercado e deve permanecer assim por um longo tempo'', afirma Bacceti. O corretor argumenta que a produção não deve crescer o suficiente em um curto período de tempo e que o setor enfrenta falta de mão de obra qualificada.
Produção
Nesta safra, a área plantada com café no Paraná chegou a 77,5 mil hectares, uma redução de 6% em relação aos 83 mil hectares da safra passada. De acordo com a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi, a expectativa de produção para esta safra é de 1,82 milhão de sacas de 60 quilos, volume 22% menor do que o registrado na safra passada, 2,32 milhões de sacas. ''Essa redução é natural, pois o café é uma cultura de ciclo perene e bianual. No ano passado, tivemos o que chamamos de safra cheia, já este ano a cultura está em uma safra mediana'', esclarece Margorete.

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