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Londrina

Folha Rural 5m de leitura Atualizado em 14/11/2021, 10:33

Em um ano, milho valoriza mais de 100% no Paraná

Maior demanda interna, quebra da segunda safra e fator dólar impactam preços

PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de novembro de 2021

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

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O preço recebido pelo produtor paranaense pela saca de milho de 60 quilos fechou o mês de agosto em R$ 93,64. Esse valor é 106% maior que o registrado no mesmo mês de 2020 e 237% maior que no mesmo período de 2019. 

O cálculo foi feito pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.

Segundo o analista do Deral, Edmar Gervásio, vários fatores têm valorizado o preço do grão junto ao mercado. “As cotações no mercado internacional, a demanda interna maior, a quebra da segunda safra e o fator dólar influenciam”, lista.

O técnico acrescenta que, assim como o milho, as principais commodities tiveram valorização por conta da maior demanda, como a soja, por exemplo. “Entretanto, não é possível afirmar que o milho foi a commodity que mais valorizou.”

PRIMEIRA SAFRA

Com condições climáticas favoráveis, o plantio da primeira safra de milho 2021/22 teve seu início no Paraná. Até o final de agosto, foram plantados 14,5 mil hectares, que equivalem a 3% da área total estimada de 422 mil hectares. 

A produção esperada é de 4,1 milhões de toneladas, que, se confirmada, será 32% maior que a safra anterior, quando foram colhidas 3,1 milhões de toneladas. “A safra anterior teve perdas no campo, então neste momento é esperada uma safra cheia”, justifica Gervásio.

A produtividade média estimada por hectare para esta safra é de 9,7 mil quilos, ligeiramente abaixo do recorde obtido na safra 2019/20, que foi de 10 mil quilos por hectare. 

O plantio da primeira safra começou em agosto e historicamente o maior volume é plantado em setembro, estendendo-se até outubro. A colheita começa normalmente em janeiro do próximo ano e segue até maio.

Com relação à primeira safra, o sul paranaense é a parte do Estado que concentra maior volume de produção, representando 67% do total (regiões de Ponta Grossa, Guarapuava e Curitiba). Em seguida vem o Sudoeste (regiões de Pato Branco e Francisco Beltrão), com 11% de participação. 

Na segunda safra, por sua vez, o Norte tem participação de 36% (regiões de Londrina, Maringá e Cornélio Procópio), seguido do Oeste (regiões de Toledo e Cascavel), com 29%, e Centro-Oeste (região de Campo Mourão), com 17%.

VALORIZAÇÃO

A valorização do milho no mercado fez o VBP (Valor Bruto da Produção), a riqueza produtiva pela atividade no Paraná, crescer 26% de 2019 para 2020, de R$ 8,7 bilhões para R$ 11,9 bilhões. 

Essa foi a variação real, sendo que já foi aplicada a correção pela inflação. Nesse mesmo período, no entanto, a produção registrou queda de 6% - 16,8 milhões de toneladas em 2019 contra 15,8 milhões de toneladas em 2020.

O Paraná é o segundo maior produtor de milho do Brasil, ficando atrás apenas atrás de Mato Grosso. 

“A cultura do milho já é uma atividade consolidada no Estado, de forma que os desafios hoje estão mais na questão econômica, como desafios logísticos, por exemplo”, destaca o analista do Deral.

O técnico explica que a maioria do milho produzido no Estado fica no Paraná. “O Paraná é grande produtor de carne de aves e suínos e o milho é a base alimentar desses animais. Assim, o milho é transformado em proteína, agregando valor à produção paranaense. Historicamente, a exportação é pequena”, conclui.

A produção mundial de milho para esta safra é estimada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em 1,12 bilhão de toneladas, praticamente igual à safra anterior, enquanto que para a próxima safra a estimativa é de 1,19 bilhão de toneladas, alta de 6,3%. 

Os principais produtores mundiais do cereal são, pela ordem, Estados Unidos, China, Brasil e Argentina. Esses países detêm aproximadamente 68% da produção mundial de milho.

MUDANÇA

Há 14 anos, desde que o trigo deixou de ser viável financeiramente, o produtor Fábio Afonso Pinto, de Cambé, resolveu apostar no milho. Hoje, ele dedica 250 hectares da sua propriedade para o plantio do grão, com a expectativa de colher 50 sacas por hectares neste ano. 

O produtor Fábio Afonso Pinto, de Cambé, comemora a valorização do preço da saca de milho
O produtor Fábio Afonso Pinto, de Cambé, comemora a valorização do preço da saca de milho |  Foto: Gustavo Carneiro
 

Apesar da produção menor neste ano, ele comemora o bom preço e a liquidez do grão. De acordo com o produtor, em agosto deste ano ele comercializou a saca de 60 quilos por R$ 85. No mesmo mês do ano passado, obteve R$ 40, o que representa uma valorização de 112%.

Para obter o máximo de desempenho na produção, Fábio segue todas as recomendações do engenheiro agrônomo da Belagrícola, empresa para onde ele vende 100% da produção. 

“Trata-se de uma atividade lucrativa, porém de muito risco. O percentual de lucro varia de acordo com o clima e o preço”, explica. 

O agricultor cita duas variáveis como o maior desafio para produzir milho hoje. “O tempo é o maior deles, além do custo elevado do seguro agrícola”, conclui. Fábio conta com o apoio de mais três funcionários, além de dispor de maquinário completo – 1 colheitadeira, 2 plantadeiras, 1 pulverizador e 3 tratores.

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