''Quanto mais nobre a terra, mais o produtor é reticente em recuperar a reserva legal'', diz o engenheiro florestal Erich Schaitza, coordenador do Projeto Paraná Biodiversidade. Ele destaca que a manutenção de áreas de reserva legal, que inclui a mata ciliar, é uma obrigação desde 1965 quando foi criado o Código Florestal Nacional. ''Os produtores devem fazer a recuperação plantando, preferencialmente, espécies nativas'', orienta.
Schaitza informa que quem não cumprem a legislação ambiental está sujeito a processos administrativos, multa e processos judiciais ajuizados, geralmente, pelas promotorias de Meio Ambiente. Segundo ele, há áreas no Estado nas quais a rede da biodiversidade vai muito bem e outras não. ''Isso é muito ligado ao valor da terra'', reforça. Nas regiões central e sul do Estado há menos resistência em cumprir a legislação porque a terra não é tão valiosa, exemplifica. Já no Norte e Oeste a resistência é maior. João Batista Campos comenta a possibilidade da participação de alguns bancos na pressão a produtores com débito ambiental. ''A discussão está no início, mas essas pessoas perderiam o direito a financiamentos'', diz.
A presidente da ONG Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária, Lídia Lucaski, disse que os projetos desenvolvidos pelo estado são da maior importância mas criticou o fato de a cobertura florestal ser de apenas 7% da área total do Paraná, isso incluindo os parques e a Serra do Mar. Campos rebateu as informações dizendo que, ''se todo proprietário rural cumprisse a sua parte, o Estado teria muito mais que 20% de cobertura florestal''.
Dados da ONG mostram que, em 1890, a cobertura florestal do Paraná era de 83%. Em 1930, este porcentual caiu para 64%, em 1937 para 58%, em 1950 para 39%, em 1965 para 23% e, em 1980, já era 11,9%. ''O Paraná não está exigindo o cumprimento da lei. Tem que haver uma política mais rigorosa para a reserva legal, que hoje é muito insuficiente'', conclui Lídia Lucaski. (A.B.)

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